Relação transatlântica? "A dissolver-se", alerta vice-chanceler alemão
- 14/01/2026
"A aliança transatlântica está a sofrer uma transformação muito mais profunda do que talvez estivéssemos dispostos a admitir até agora", disse Klingbeil durante um discurso no Instituto Alemão de Investigação Económica (DIW), em Berlim.
O também ministro das Finanças e líder dos sociais-democratas - parceiro minoritário no Governo de coligação liderado pelo chanceler conservador Friedrich Merz - classificou como "uma violação do direito internacional" a intervenção militar norte-americana na Venezuela que levou à captura do presidente Nicolás Maduro.
O vice-chanceler afirmou que este episódio "deveria alarmar a Europa" pela forma como altera as regras da ordem internacional.
O dirigente alemão citou ainda as ameaças de Donald Trump contra o México, a Colômbia e Cuba, bem como contra a Gronelândia, território autónomo da Dinamarca, um membro da NATO e da União Europeia (UE).
Hoje, Trump reiterou o desejo de anexar a Gronelândia "por razões de segurança nacional" e pediu o apoio da NATO para esse objetivo.
"Estamos a viver um período de convulsão histórica em que todas as certezas em que podíamos confiar na Europa estão a ser questionadas", defendeu Klingbeil.
O vice-chanceler alemão participou recentemente em Washington numa cimeira sobre terras raras e matérias-primas estratégicas, onde defendeu uma cooperação comercial "mais estreita" no âmbito do G7 (grupo das sete maiores economias mundiais).
Desde o regresso de Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025, as relações entre Washington e Berlim, tradicionalmente próximas desde 1945, têm vindo a deteriorar-se de forma acentuada.
Klingbeil sublinhou que o aumento significativo das tarifas norte-americanas, adotado em 2025, está a fragilizar a economia alemã, fortemente dependente das exportações.
O responsável garantiu, no entanto, que a Alemanha não abdica do comércio livre nem dos mercados abertos.
Klingbeil disse acreditar que cerca de "dois terços" da eventual quebra das exportações para os Estados Unidos poderão ser compensados através dos acordos de comércio livre da UE com o Mercosul, a Índia e a Indonésia.
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