Rei da Dinamarca chega à capital da Gronelândia para visita de três dias
- 18/02/2026
O rei, de 57 anos, acenou a uma dezena de groenlandeses que vieram recebê-lo no aeroporto, onde o esperava o primeiro-ministro gronelandês, Jens-Frederik Nielsen.
A visita ocorre num momento em que a Gronelândia esteve recentemente no centro de tensões diplomáticas com Washington, depois de Trump ter afirmado querer assumir o controlo da ilha ártica.
Ao anunciar a sua visita à Gronelândia no final de janeiro, o rei da Dinamarca disse estar "profundamente solidário" com os gronelandeses, perturbados pelas declarações do Presidente republicano.
"Através da imprensa, podemos ver e sentir que as pessoas ficaram muito preocupadas (...), é claro que isso nos preocupa a ambos", disse o rei dinamarquês, referindo-se à sua mulher, a rainha Mary.
O soberano, cujo papel é principalmente simbólico, visita hoje o liceu da capital da Gronelândia, a empresa pesqueira Royal Greenland, a sede do Comando Ártico (Arctic Command), responsável por vigiar e proteger a soberania do Reino da Dinamarca na região ártica, antes de terminar o dia com um café no centro cultural.
Na quinta-feira, Frederik deve ir a Maniitsoq, cerca de 150 quilómetros a norte da capital Nuuk, onde se encontrará com empresários locais.
Na sexta-feira, o rei dinamarquês estará em Kangerlussuaq, mais a norte, para visitar o centro de treino ártico das tropas dinamarquesas.
Apesar do difícil passado colonial da Dinamarca neste território autónomo, a monarquia goza há muito tempo de grande popularidade na Gronelândia.
Apaixonado por atividades ao ar livre, Frederik participou no ano 2000 numa expedição de esqui de quatro meses e 3.500 quilómetros pela Gronelândia, integrando a patrulha de elite Sirius da marinha dinamarquesa.
Washington afirma regularmente que o controlo da Gronelândia é indispensável para a segurança dos Estados Unidos e acusa a Dinamarca e os europeus de não protegerem suficientemente esta zona estratégica face às ambições russas e chinesas.
Trump, no entanto, renunciou às suas ameaças após a assinatura de um acordo com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, com o objetivo de reforçar a influência norte-americana e encetar negociações entre a Dinamarca, a Gronelândia e os Estados Unidos.
Na sexta-feira Jens-Frederik Nielsen rejeitou o discurso sobre a ameaça russa e chinesa no Ártico e alertou que a única ameaça sentida pela população do território é a de um aliado, referindo-se aos Estados Unidos (EUA).
"Os gronelandeses não sentiram a ameaça da Rússia ou da China, a primeira vez que nos sentimos ameaçados foi quando um aliado nos ameaçou com a conquista", declarou Nielsen durante a sua intervenção na Conferência de Segurança de Munique (MSC).
"É um paradoxo", acrescentou na ocasião.
Para o líder gronelandês, as últimas manobras militares de países europeus aliados, como as missões Resistência Ártica ou Sentinela Ártica, foram de grande ajuda, tendo-as qualificado como "um passo na direção certa".
A presença militar dinamarquesa e dos países membros da aliança atlântica tem aumentado substancialmente na ilha após as ameaças de Trump.
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