Régua contabilizou 163 ocorrências numa semana devido ao mau tempo
- 10/02/2026
"Temos a questão do rio, mas as ocorrências fora da zona ribeirinha têm sido aquelas que mais ocupação nos tem dado um pouco por todas as freguesias", afirmou José Manuel Gonçalves, presidente da Câmara do Peso da Régua.
Entre as 163 ocorrências contabilizadas desde 02 de fevereiro, dia que o Posto de Coordenação Municipal passou a emitir comunicados diários sobre as consequências do mau tempo, como a chuva forte e vento, há cortes de estradas devido a deslizamentos de terras e aluimentos, desabamentos, quedas de muros e de taludes ou infiltrações de água em habitações.
O rio Douro está em situação de cheia e há vários dias que estão inundados, na zona ribeirinha, os cais fluviais da Régua, onde estão localizados três edifícios, da Junqueira e a ecopista.
O autarca especificou que o caudal do rio Douro hoje se manteve estável, com previsões de uma ligeira subida devido à chuva intensa, mas sem que ultrapasse o nível que atingiu na sexta-feira, em que galgou a avenida do Douro, no lugar da Barroca.
E anunciou que hoje foi restabelecida, de forma condicionada, a ligação entre a barragem de Bagaúste e a aldeia de Covelinhas, que tinha duas das suas três ligações rodoviárias interrompidas.
José Manuel Gonçalves concretizou que o município avançou com uma intervenção urgente nesta Estrada Nacional 313-1 (EN 313-1), no entanto, devido à instabilidade dos terrenos e à necessidade de preservar a segurança e a integridade da via, mantém-se a proibição de circulação a veículos pesados.
"É a principal ligação que têm à Régua", afirmou o autarca, que apontou ainda reocupações com outras estradas como a ligação da sede do concelho a Canelas, Poiares e Vila Seca, onde vai ter que ser feita uma "intervenção muito forte".
Apesar das consequências do mau tempo na rede viária, José Manuel Gonçalves apontou como "maior prejuízo" as consequências nas vinhas.
"Os nossos viticultores têm uma situação já complicado em termos do que tem sido o negócio do vinho e que, ainda por cima, vão ser também agora fustigados com estas intempéries, E isso, a meu ver, é a situação que mais nos vai preocupar para o futuro", afirmou o autarca.
Pelo menos até amanhã há previsões de chuva intensa, pelo que, na Régua, a preocupação é com a prevenção e a resposta imediata às ocorrências.
O passo a seguir, segundo o presidente da câmara, passa por fazer um levantamento exaustivo das infraestruturas municipais afetadas, como as rodoviárias, bem como apoiar todos os produtores na identificação dos prejuízos em vinhas, quedas de muros ou de taludes.
"Vamos ter que avançar rapidamente com a análise, sondagens, com projetos e com obras e temos também que sensibilizar o nosso Governo para os graves prejuízos que os viticultores têm. Vamos ter que os ajudar rapidamente", salientou, considerando que os produtores são "fundamentais para este território".
José Manuel Gonçalves defendeu como necessária uma linha de apoio específica para os viticultores. "E vamos tendo sinais de que o Governo também está sensível a isto, que está preocupado e a arranjar soluções. Vamos ter confiança que isso vai acontecer porque é fundamental para a economia desta região", frisou.
O distrito de Vila Real está com aviso laranja devido à previsão de chuva "persistente e por vezes forte".
Portugal continental foi atingido no dia 27 de janeiro pela depressão Kristin, a que se seguiu a Leonardo e a Marta, que causaram 15 mortos e centenas de feridos e desalojados.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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