Registados novos confrontos após acordo entre Damasco e força curda
- 19/01/2026
Os confrontos foram divulgados pela organização não-governamental Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), com sede em Londres e que mantém uma vasta rede de colaboradores no país, tendo um correspondente da agência de notícias France-Presse (AFP) em Raqqa informado que ouviu intensos bombardeamentos na cidade.
O OSDH indicou igualmente que as forças governamentais bombardearam uma posição militar das FDS a norte da cidade, um dia depois de os dois lados terem acordado um cessar-fogo.
Uma fonte curda próxima das negociações disse à AFP, sob anonimato, que foram realizadas conversações diretas entre o Presidente de transição sírio, Ahmed al-Sharaa, e o comandante das FDS, Mazloum Abdi, mas sem resultados.
Após duas semanas de combates, Ahmed al-Sharaa anunciou no domingo um acordo de cessar-fogo, depois de um encontro no mesmo dia com o enviado norte-americano, Tom Barrack.
O entendimento estipula a integração de membros das FDS nas forças de segurança do Estado e a transferência das áreas que a aliança comandada pelos curdos mantinha sob controlo para instituições centrais.
Apesar da trégua, as FDS e as forças governamentais dirigiram entretanto acusações mútuas de novos ataques, que o exército disse terem causado a morte de três militares.
No seguimento dos relatos de novos confrontos, a chefe da diplomacia da UE, Kajas Kallas, pediu que todas as atividades militares terminem de imediato.
"O cessar-fogo entre as autoridades interinas sírias e as Forças Democráticas Sírias é um passo crucial para impedir que o país volte a mergulhar no caos", advertiu.
O acordo mereceu elogios da Liga Árabe, que destacou "um passo importante no caminho para a construção de uma nova Síria", sustentando que "fortalece as instituições e impõe a soberania em todo o território no âmbito da parceria nacional".
Sem mencionar a vaga de violência e violações dos direitos humanos registadas nos últimos dias, a organização reiterou o "compromisso com tudo o que fortaleça a soberania, a estabilidade, a unidade e a segurança territorial da Síria", ao mesmo tempo que pediu apoio para o Governo de Damasco.
Os novos confrontos ocorreram em pleno processo de transferência de poder da província de Raqqa e da província de Deir ez-Zor, no leste do país.
Damasco e os curdos sírios tinham assinado um entendimento em 10 de março de 2025 para abrir uma solução para as autoproclamadas zonas autónomas no nordeste da Síria.
Mas este processo, iniciado após a queda do regime de Bashar al-Assad há mais de um ano, no seguimento de uma operação militar de uma coligação rebelde liderada por Al-Sharaa, não se concretizou.
A minoria curda assumiu o controlo de vastas áreas do norte e nordeste da Síria durante a guerra civil no país entre 2011 e 2024, incluindo campos de petróleo e gás.
A minoria curda, presente sobretudo nos territórios turco, sírio, iraquiano e iraniano, sofreu décadas de opressão na Síria, onde se estima que seja constituída por cerca de dois milhões de pessoas numa população de 20 milhões.
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