Recuperado corpo de último refém do Hamas. Tinha passaporte português
- 26/01/2026
As autoridades recuperaram o corpo do último refém do Hamas, na sequência do ataque de 7 de outubro 2023. Ran Gvili era o último refém israelita que permanecia no enclave palestiniano.
Estava doente e à espera de uma operação no hospital a 7 de outubro quando, alarmado com as notícias que chegavam, vestiu-se e dirigiu-se para o campo de batalha. Acabou por morrer e o seu corpo foi levado para Gaza como troféu e objeto de troca.
O corpo do homem, de 24 anos, foi encontrado agora na sequência de uma operação num cemitério no norte da Faixa de Gaza, onde as tropas realizaram, este domingo, "extensas operações de busca".
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu já reagiu à notícia, considerando que se trata de "um extraordinário feito para Israel".
"Prometemos - eu prometi - trazer todos de volta e conseguimos trazer todos de volta", afirmou, citado pela Times of Israel, acrescentando que o sargento "Ran é um herói".
O militar israelita, segundo o Expresso, tinha passaporte português, por parte dos bisavós maternos.
O corpo do último refém mantido na Faixa de Gaza foi identificado no local por peritos forenses israelitas. As Forças de Defesa de Israel (IDF) começaram a exumar centenas de corpos num cemitério em Gaza, no fim de semana e, até hoje, segundo o Times of Israel, testaram cerca de 250 deles para verificar se algum deles correspondia ao do homem.
A sua identidade acabou por ser confirmada através da sua dentição e das suas impressões digitais.
O corpo de Gvili vai ser transferido para Israel onde serão feitas as suas cerimónias fúnebres.
Plano de Paz acelera recuperação de corpos
A libertação do corpo de Gvili era aguardada desde outubro passado, no âmbito do plano de paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos para o Médio Oriente.
Três portugueses vivos e os restos mortais de outros três - entre eles o de Gvili - eram esperados ser recuperados na sequência do plano que previa, numa primeira fase, uma troca dos 48 reféns, vivos e mortos, por prisioneiros palestinianos.
Os três portugueses vivos eram Segev Halfon, de 27 anos, e os irmãos Ariel Cunio e David Cunio, de 28 e 35 anos respetivamente, indicou a Comunidade Israelita do Porto.
A Comunidade Israelita do Porto aguardava também a libertação dos corpos de Yossi Sharabi, de 53 anos, pertencente a uma família marroquina de sobrenome Turgeman, que conta com registos no cemitério judaico de Lisboa, uma vez que membros desta família regressaram a Portugal depois da abolição da Inquisição; de Ran Gvili, de 26 anos, de uma família sefardita egípcia, bisneto de Eduardo Nada; e de Dror Or Ermoza, de 48 anos, de família sefardita otomana que falava ladino e que hoje inspira a famosa série da Netflix "Beauty Queen of Jerusalem".
Recorde-se que os familiares do militar tinham pedido ao governo israelita que não abrisse a passagem de Rafah, no sul de Gaza, prevista para os próximos dias após os Estados Unidos terem anunciado o início da segunda fase do acordo de cessar-fogo, até que os seus restos mortais retornassem ao território israelita.
A guerra na Faixa de Gaza foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.
Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave palestiniano, que provocou mais de 71 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo grupo islamita, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.
[Notícia atualizada às 14h27]
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