Reconstrução do paÃs vai implicar défice? "Governo terá de esclarecer"
- 18/02/2026
O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José LuÃs Carneiro, quer ouvir do primeiro-ministro se garantir os apoios à s populações afetadas pelas tempestades vai implicar um défice. Na Grande Entrevista da RTP, o lÃder do PS disse acreditar que "é possÃvel" ter o melhor dos dois mundos, já que a União Europeia deu o aval para alguma flexibilidade orçamental.
"Eu queria ainda conhecer a posição do Governo, porque eu ouvi duas vozes distintas no Governo acerca desta matéria", afirmou, referindo-se ao ministro da Economia, que "veio dizer que era necessário mobilizar os apoios para a recuperação e para a resposta de emergência nesta fase" e ao ministro das Finanças, que teve uma "posição distinta".
Na mesma entrevista, na RTP, José LuÃs Carneiro explicou que pretende esclarecer isso junto do primeiro-ministro, nomeadamente no debate quinzenal desta quinta-feira: "Vi o Governo com duas posições, por isso vai ser muito importante a posição e a clarificação por parte do primeiro-ministro."
"Da parte do PS, o primeiro-ministro contará com todo o apoio para que não faltem os apoios necessários e indispensáveis à s famÃlias, aos trabalhadores, à s empresas e à s autarquias", assegurou também.
Se isso vai implicar algum défice, "é um assunto que o Governo terá de esclarecer", acrescenta José LuÃs Carneiro.
"Tenho de questionar primeiro o primeiro-ministro sobre como pretende garantir esses dois pressupostos: o pressuposto de responder à s necessidades das populações e, por outro lado, garantir a segurança estrutural das contas públicas", esclareceu o secretário-geral do PS, que diz que "é possÃvel", do seu "ponto de vista", o melhor dos dois mundos.
"Do meu ponto de vista é possÃvel, tendo em conta uma decisão tomada pela União Europeia e tendo em conta a vontade que há de reorientar fundos europeus, fontes de financiamento europeias, quer dos fundos comunitários que vão até 2030, quer também do próprio Plano de Recuperação e Resiliência e, naturalmente, mobilizando também apoios do próprio Estado", frisou.
"Nós entendemos que o Governo, em circunstância alguma, deve faltar aos compromissos assumidos de apoiar as famÃlias, os trabalhadores, as empresas e as autarquias. A União Europeia já deu uma grande ajuda ao mostar que estes apoios são tomados de uma vez só", defendeu.
"Eu diria que o Governo tem condições para manter a estabilidade das contas públicas, manter os objetivos em relação ao défice orçamental e também em relação à dÃvida pública", sustentou também.
O Governo anunciou ontem ter obtido aval da Comissão Europeia para flexibilidade orçamental nas despesas com os apoios do Estado devido ao mau tempo, para que não contem para o cumprimento das regras orçamentais da União Europeia (UE).
"Houve uma preocupação geral de todos pela situação que ocorreu em Portugal. A Comissão Europeia mostrou abertura para usar os instrumentos que já existem e também para considerar as despesas que o Estado venha a incorrer nestas tempestades e nestas cheias como despesa 'one-off', que significa despesa que não vai contar para a despesa lÃquida primária, por ser pontual", disse o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
MAI é um dos "lugares mais difÃceis do Governo"
Do ponto de vista do lÃder socialista, "está a faltar sensibilidade" e "eficácia na resposta" ao Executivo. E vai mais longe, defendendo que "o Governo deve ter a humildade democrática para ouvir todos aqueles que querem contribuir para responder a esta crise", e recordando a experiência que os responsáveis do PS tiveram na gestão da crise quer de Pedrógão Grande quer da pandemia.
José LuÃs Carneiro critica também que o Governo de LuÃs Montenegro não tenha prolongado a estado de calamidade, exemplificando que isso permitiria mecanismos de contratação pública "muito mais ágeis".
Por outro lado, também contesta o fim da isenção de portagens: "Enquanto as vias de comunicação não estiverem repostas nos termos em que elas estavam disponÃveis antes desta tempestade, deve-se manter a isenção das portagens", enfatizou.
Questionado sobre se a Administração Interna é um lugar que "queima ministros", José LuÃs Carneiro, que já tutelou esse ministério, sustentou que essa é uma das pastas "mais difÃceis do Governo" e que exige experiência polÃtica e responsabilidade.
"No nosso entender, há áreas que não têm sido capazes de responder à s necessidades crÃticas do Estado", afirmou, adiantando que "a Administração Interna é uma das áreas onde o Governo nunca esteve bem" desde que assumiu funções, mas dando também o exemplo da Saúde.
Carneiro diz mesmo que "quer em relação à ministra anterior, quer em relação à ministra que acabou de pedir a sua demissão", disponibilizou-se para aconselhar o Governo. "Há funções que são funções de soberania e o primeiro-ministro não se deve sentir diminuido pelo facto de ouvir quem, na oposição, pode ter um contributo a dar ao paÃs", considerou.
Sobre o facto de o Governo não estar disponÃvel para ouvir o PS, o secretário-geral do partido aponta que há "insensibilidade" e "impreparação polÃtica". "O Governo não quer reconhecer nem mostrar isso aos seus adversários polÃticos e fecha-se nessa relação com os seus adversários polÃticos, quando, do meu ponto de vista, o Governo só teria a ganhar com essa abertura", conclui.
[NotÃcia atualizada à s 23h34]














