Raimundo prevê que temas essenciais para o paÃs ficarão de fora do debate
- 27/01/2026
Na intervenção com que encerrou uma sessão pública do partido no Porto, Paulo Raimundo afirmou: "Parece que há hoje um debate entre os dois candidatos que passaram à segunda volta. Não quero fazer futurologia, mas quase que apostava, até diria assim, aposto mesmo, sem medo, que há coisas que ficarão de fora desse debate de 75 minutos".
"Ficará de fora o número 1.741 milhões, esse tal valor de euros que daria para construir 12 mil novas casas, esse tal valor que é só três vezes mais do que o orçamento da Cultura (...), o valor que os tais residentes não habituais têm em benefÃcios fiscais no nosso paÃs por ano", disse o dirigente comunista.
E prosseguiu: [António José] "Seguro não trará este número para a discussão e o [André] Ventura vai tentar escondê-lo no meio da gritaria sobre os imigrantes. Já sabemos bem o que é que vai ser. Para Ventura, os imigrantes que vêm para trabalhar são para escorraçar. Os imigrantes que vêm cá para especular são para abraçar e para acarinhar".
De fora também, continuou o secretário-geral do PCP, estará o "número 30 milhões. Os tais 30 milhões de euros de lucro que os 19 grupos económicos concentram todos os dias nos seus cofres".
"Seguro não se escandaliza com o número. E o Ventura, bem financiado, que é por muitos deles, vai falar de todas as minorias, de todas, menos desta minoria, que concentra a riqueza à custa de quem trabalha uma vida inteira e à custa da juventude", insistiu Paulo Raimundo.
Do mesmo modo, prosseguiu na antevisão, "os cinco milhões de euros lucros por dia da banca também não vão estar presentes no debate", dizendo que irá "falar-se da habitação, mas sem beliscar um cêntimo que seja os responsáveis pela situação" a que o paÃs chegou, acrescentando tratar-se dos "fundos imobiliários e da própria banca".
"Seguro confia no mercado, que o mercado resolve o problema da habitação. E o Ventura é ele próprio em si mesmo a expressão desse mercado", voltou à carga sobre os dois candidatos presidenciais.
Para Raimundo, "ficará de fora a questão central do Serviço Nacional de Saúde: a falta de profissionais", acrescentado que Seguro "quer pactos, como se já não tivessem havido poucos pactos durante estes anos todos, entre o PS e o PSD, e Ventura quer aquilo que quer, que é o negócio da doença".
A terminar, sobre o tema, Paulo Raimundo garantiu que a palavra "corrupção" vai estar no debate: "os dois vão falar da corrupção, mas não vai haver nenhum que se atreva e, até quase que aposto as duas mãozinhas, a identificar a principal e a maior causa de corrupção no nosso paÃs, a maior causa de crimes económicos, que são as privatizações, que é a privatização da TAP, aquilo que se quer fazer na ACP, ninguém vai querer falar disso".
Leia Também: Raimundo desafia Direita a marcar manifestação de apoio ao pacote laboral













