Queria Manchester United e desistiu por causa do pénis: "Sou um monstro"
- 24/01/2026
Aos 34 anos de idade, Sikou Niakaté é um reputado autor e realizador francês. No entanto, não esquece o sonho de infância de se tornar jogador de futebol profissional, que acabou por ser despedaçado por conta daquilo a que chama de "sÃndrome do balneário", algo para o qual procura chamar a atenção, na produção 'Dans le Noir, les Hombres Pleurent' ('No Escuro, os Homens Choram', em português).
Numa extensa entrevista concedida à edição deste sábado do jornal L'Équipe, o próprio explicou os motivos pelo qual abdicou, em tenra idade, de enveredar por uma carreira no desporto-rei: "Quando era criança, só queria uma coisa, que era ser futebolista. Eu sonhava com o Manchester United, com a camisola vermelha, com o número 7, com David Beckham e com Patrice Evra. Dei tudo por isso. Jogava futebol durante, pelo menos, três horas por dia. Eu era bom".
"Jogava no meio-campo, por vezes, como número 10. Eu era alto, muito alto - no liceu, media 1,92 m - mas tinha técnica. Era verdadeiramente dotado, o que é raro, para quem é alto. Tinha uma precisão de passe melhor do que todos os rapazes com os quais jogava. Era eu próprio que fazia os cruzamentos, ainda que fosse o mais alto, porque era muito preciso. Era um pouco como o perfil de Yaya Touré", começou por afirmar.
"Jogava no meu bairro, em Paris, na XIX divisão administrativa. Evidentemente, a questão de me juntar a um clube surgiu, mas isso teria sido aceitar a ideia dos de duches coletivos, e isso, para mim, era impensável. ImpossÃvel. Aquilo que eu estava a esconder iria tornar-se visÃvel", acrescentou.
Mas, afinal, de onde veio a vergonha de Sikou Niakaté?
Sikou Niakaté prosseguiu, relatando: "Quando eu era pequeno, uma vez, estava a preparar-me para tomar banho, enquanto a minha irmã lavava a casa de banho. Começámos a picar-nos, ela enervou-se e disse-me, a rir-se 'Com a tua pequena pila'. Quando ela disse isso, essa frase perfurou-me, assassinou-me. Disse a mim mesmo que não era normal, que o meu corpo não era belo e que teria de escondê-lo".
"Mais tarde, depois de um jogo de futebol, um dos meus amigos mostrou-me o pénis, sem qualquer razão, apenas como piada, e exigiu que eu lhe mostrasse o meu. O pénis dele era bem mais volumoso, e eu recusei. Ele continuou a fazer pressão, insistindo que era bizarro que eu recusasse. Eu não tinha outra opção. Puxei as calças e as cuecas para baixo. Ele olhou, segurou um riso e, depois, explodiu, dizendo 'Tens uma pila muito pequena, é de loucos", referiu.
"Morri por dentro. Fui-me embora a olhar para o chão, de cabeça baixa. Sou um monstro. Por isso, decidi que nunca jogaria futebol profissional. Nunca, jamais. Há quem diga que não fez carreira devido aos ligamentos cruzados. Eu rompi os meus ligamentos cruzados! Por isso, quando jogasse, talvez fosse duplamente bom, porque compensei pelo facto de não ter podido evoluir numa equipa. Não estou a dizer que tinha nÃvel para fazer uma carreira imensa, mas penso que poderia ter jogado num clube, até mesmo num bom clube, mas mostrar-me nu não era uma opção", prosseguiu.
"Eu falo da importância do tamanho do pénis, no meu documentário. E, com todas as respostas que recebi , apercebi-me de que isso afeta bastantes homens. Chama-se 'sÃndrome do balneário'. Eu pensava que era o único cuja cabeça gritava 'Que vergonha é ter este copo'. Isso nunca me deixou. Na escola, na Educação FÃsica, tinha sempre entre 17 a 20 valores, mas, quando chegava à piscina, tinha um 0. Nunca fui. Isso teria significado vestir um fato de banho, que me apertaria as partes Ãntimas. Usar um fato de banho no duche? Nem pensar", concluiu.
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