Quem é Saab? Do herói após "sequestro" em Cabo Verde a parceiro de Maduro
- 05/02/2026
Nas últimas 24 horas muito se tem falado da alegada detenção de Alex Saab, um empresário colombo-venezuelano que até janeiro ocupava o cargo de ministro da Indústria, tendo aí sido demitido pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, após a decisão de juntar a pasta que era tutelada pelo mesmo com a do Comércio.
A operação conjunta terá sido levado a cabo na quarta-feira por forças norte-americanas e venezuelanas, de acordo com o que um oficial dos EUA disse à Reuters, mas, até agora, nem Rodríguez nem o presidente dos EUA, Donald Trump, se pronunciaram acerca da situação, o que levanta dúvidas sobre onde está Saab.
A alegada detenção terá ocorrido pouco mais de um mês depois de o então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ter sido capturado juntamente com a esposa, Cilia Flores, numa operação que envolveu o FBI. Maduro e a mulher estão detidos numa prisão em Brooklyn, em Nova Iorque, e o chefe de Estado está, entre outros crimes, acusado de narcoterrorismo. A próxima audiência será a 17 de março, depois de se ter, no final de janeiro, declarado inocente. Esta alegada detenção de Saab ganhou algum espaço sob os holofotes dado que o empresário é visto como o testa de ferro de Maduro.
Mas quem é, afinal, Alex Saab?
Saab, de 54 anos, tem dupla nacionalidade, tendo nascido na Colômbia. Para além de ser sido um aliado de Maduro quando este era o líder da Venezuela, é também conhecido por ter trabalhado no ramo empresarial.
Fortaleceu os seus primeiros vínculos com o governo venezuelano ainda nos últimos anos de Hugo Chávez, que esteve na liderança de 1999 até 2013, antes de Maduro assumir a liderança.
Não é, no entanto, a primeira vez que Saab está detido. Ganhou alguma notoriedade quando, em 2020, foi detido em Cabo Verde por acusações de suborno. Cumpriu pena durante três anos nos Estados Unidos, mas fez depois um acordo para a sua libertação e regresso à Venezuela, que envolveu a libertação de norte-americanos que estavam detidos no país sob o comando de Maduro.
Já aquando a libertação, as autoridades norte-americanas acusaram-no, no entanto, de desviar cerca de 250 milhões de dólares da Venezuela, através de um esquema relacionado com o controlo estatal de câmbio. Saab sempre negou as acusações de branqueamento de capitais, alegando imunidade diplomática. Defensores do regime de Maduro diziam que as acusações tinham motivações políticas e falavam em "sequestro".
Já ao regressar ao país, foi recebido como um herói nacional pelo então presidente e nomeado para ministro da Indústria, cargo que ocupou até janeiro deste ano.
A sua nomeação para tutelar a pasta em causa, com um papel económico central, foi muito criticada, não só pela oposição venezuelana, como também por analistas internacionais - que faziam questão de recordar o registo que 'trazia' dos EUA.
A detenção desta quarta-feira acontece pouco mais de um mês depois da captura de Nicolás Maduro por forças norte-americanas, a 3 de janeiro. O antigo presidente está agora numa prisão em Brooklyn, Nova Iorque. Está acusado, entre outros crimes, de narcoterrorismo.
Depois de se ter declarado inocente no final de janeiro, a próxima audiência irá acontecer a 17 de março. Também a sua esposa, a ex-congressista Cilia Flores, está detida nos EUA (tendo sido levada juntamente com Maduro).
Desde esta captura, a então vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o governo venezuelano de forma interina e tem vindo a aproximar-se das autoridades norte-americanas, com o presidente dos EUA, Donald Trump, a já ter elogiado o seu trabalho - afirmando, inclusive, que a venezuelana está a cooperar com os Estados Unidos.
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