Queens Park Rangers lança música contra o racismo no futebol
- 03/02/2026
"Do que eu mais gostei na produção deste 'single' em vinil foi quando Mick Jones dos 'Clash' me disse que 'as duas coisas que mais respeita na vida são o Queens Park Rangers e campanhas contra o racismo'. Glen Matlock também se envolveu muito. O racismo é insensato", disse à Lusa o produtor, Rick Blackman.
O Queens Park Rangers (QPR), fundado em 1882, é um dos mais antigos clubes de futebol de Londres, popular na zona noroeste da capital britânica, e disputa atualmente a segunda divisão da Liga Inglesa de Futebol.
"A música está presente nos jogos de futebol, mas quisemos associar uma mensagem política, neste caso contra o racismo e o QPR apoiou a iniciativa promovendo o disco, que vai estar à venda na loja oficial do clube", referiu.
Rick Blackman, adepto do Queens Park Rangers de 61 anos, é músico e professor de História Moderna na London School of Economics tendo publicado a investigação "Babylon's Burning -- Music, Subcultures and Anti-Fascism in Britain 1958-2020", sobre música, subculturas e anti-fascismo.
O livro detalha os acontecimentos iniciais relacionados com as agressões de organizações fascistas contra a primeira vaga de imigração das Caraíbas, sobretudo da Jamaica, em Notting Hill, Londres, em 1956, cobrindo também o movimento "Rock Against Racism", nos anos 1970 e 1980.
Blackman explicou que depois do afro-americano George Floyd ter sido assassinado nos Estados Unidos em 2020 pela polícia, os jogadores de vários clubes britânicos prestaram homenagem antes das partidas, ajoelhando-se.
Nessa altura muitos adeptos do QPR insultaram o gesto dos atletas, o que provocou "problemas raciais".
"Nós não queríamos regressar aos anos 1970 e aos anos 1980 quando os jogadores negros eram insultados por muitos adeptos nas bancadas durante os jogos", afirmou, considerando que a extrema-direita nunca esteve tão forte no Reino Unido como atualmente.
"Há muitas manifestações racistas contra migrantes. Em parte, o fenómeno foi exacerbado pelo Brexit, pelo que aconteceu durante a pandemia de covid-19 e também pelo Governo de Boris Johnson e pela Administração norte-americana de Donald Trump que banalizou o racismo", lamentou.
Em 2023 foi fundada por adeptos a organização "Love the R's, Hate Racism" ('R's' é o nome dado ao Queens Park Rangers pelos adeptos do clube) de sensabilização contra o racismo.
Para conseguirem financiar o grupo, decidiram publicar um disco, tal como fez o Chelsea F.C. no passado com o tema "Liquitador", gravado na Jamaica por Harry J. and the All Stars ou o Brentford F.C. que tinha um tema publicado pela banda jamaicana Brentford All Stars.
"Decidimos também fazer o mesmo. Não sei como é em Portugal, mas 98% das músicas ou cânticos de futebol em Inglaterra são horríveis. Fizemos um tema instrumental jamaicano e como não tínhamos uma letra, decidimos gravar os adeptos a gritar uma frase, incluindo os adeptos mais famosos".
No caso, destacou Mick Jones, dos Clash e Big Audio Dynamite, Glen Matlock, baixista dos Sex Pistols, e Pete Doherty, dos Libertines e Babyshambles.
Os músicos contribuíram diretamente dizendo a frase: "Apoia o QPR, Rejeita o Racismo", que também foi registada em vídeo.
Richard Simpson, um cantor de origem jamaicana, apoiante do QPR, fez um "toasting" (monólogo improvisado sobre o instrumental) no tema que pretende ser um hino contra o racismo no futebol britânico.
"A música 'The Return of QPR All Stars' não vai resolver o problema do racismo mas é uma maneira de alertarmos para o problema", concluiu Rick Blackman.
O QPR está atualmente na 11º posição da Segunda Divisão inglesa e inclui, entre outros, jogadores originários do Brasil, Marrocos, Noruega, Jamaica, África do Sul, Gana, Suécia ou Trindade e Tobago.













