"Que se lixem as eleições", diz Ventura em campanha na zona afetada
- 31/01/2026
"Acho que é importante que um político que está numas eleições com esta visibilidade a nível nacional, neste momento em que estamos a enfrentar condições provavelmente nunca vistas e que provavelmente vamos enfrentar novamente esta noite e amanhã [domingo], agora é que é mesmo a expressão: Que se lixem as eleições", afirmou.
O também presidente do Chega falava aos jornalistas no final de uma visita de cerca de meia hora a uma exploração agrícola, na zona da Ortigosa, fortemente afetada pela depressão, cujo proprietário, Fábio Franco, já tinha recebido André Ventura, dois dias antes, quando o candidato visitou pela primeira vez o centro de Leiria.
Questionado sobre se esta ação beneficiava a sua campanha, André Ventura repetiu a ideia: "Que se lixem as eleições -- todas elas".
Ventura insistiu naquilo que tem repetido ao longo dos últimos dias de ser necessário "mostrar ao país o que está a acontecer", depois de na sexta-feira ter-se mostrado a pôr bens recolhidos para as vítimas numa carrinha e de na quinta-feira ter estado pelo centro de Leiria, numa visita que durou cerca de uma hora, sempre com comunicação social presente ao contrário do seu adversário, António José Seguro.
Descrevendo aquilo que viu no concelho de Leiria como um "cenário apocalíptico", André Ventura justificou as iniciativas dinamizadas pela sua candidatura pelo facto de a campanha estar "marcada".
"Nós temos de nos focar em ajudar. Ajudar é mostrar às pessoas o que está a acontecer e não andarmos a fazer outra coisa qualquer", vincou.
O candidato presidencial e presidente do Chega disse que as pessoas "não querem saber de ideias políticas", considerando que os políticos têm de ir até ao terreno, "conhecer o que está a acontecer".
André Ventura considerou que o Presidente da República deve ir para o terreno "falar com as pessoas, ver o que está a acontecer", depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter estado no terreno na sexta-feira.
O candidato apelou à mobilização de todos para ajudar os concelhos afetados, afirmando que irá procurar que militantes e apoiantes ajudem a dar lonas às pessoas afetadas.
Sobre se a campanha se vai manter nos atuais moldes -- dedicada à resposta ao mau tempo -, o candidato disse que isso "é evidente", mas disse que "é impossível" não ficar focado no impacto da depressão Kristin.
"Vou procurar ainda esta tarde fazer alguns contactos para conseguirmos alguns bens", disse.
Na visita, Ventura ouviu os lamentos de Fábio Franco, de 37 anos, que viu as suas estufas de alfaces destruídas pela depressão Kristin, depois de já ter sido afetado pelo furacão Leslie, em 2018.
"Gostava de o ter aqui por outras razões", disse, afirmando que perdeu cerca de 150 toneladas de alface.
Com 15 funcionários e sem saber como irá fazer pagamentos, Fábio disse que, desta vez, não sabe se vai conseguir reerguer-se.
O apoio, defendeu, "tem de ser rápido" e sem burocracias.
Ao seu lado, Albertina, mãe de Fábio, desabafava: "Não sei se o meu filho vai conseguir".
Também naquela visita, o candidato ouviu a história de Isabel Guarda, de 57 anos, que perdeu uma exploração de framboesas, que tinha começado há 11 anos.
"Eu não sei se conseguirei desta vez reerguer-me, porque o clima está completamente destruído. Durante quanto tempo é que eu vou conseguir reerguer isto outra vez? Mais dois anos e depois fico na mesma", perguntava a mulher à agência Lusa .
Já Eduardo Silva tem cerca de cinco mil porcos, que estão há três dias sem comida e água, e também não sabe se irá conseguir recomeçar.
"O vento, se falasse, dizia: Porque é que são teimosos? Deixem-se estar quietos", disse à Lusa Eduardo, de 73 anos, que se sente "num mundo totalmente diferente": "Eu, hoje, não estou aqui, não estou nesta realidade".
[Notícia atualizada às 15h58]
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