PSOE sofre nova derrota histórica em Aragão
- 08/02/2026
Quando estavam contados cerca de 95% dos votos das eleições autonómicas antecipadas de hoje em Aragão (nordeste de Espanha), o PSOE, do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, tinha 24,4%, o que corresponde a 18 deputados no parlamento regional (menos cinco do que atualmente). O resultado é similar ao pior de sempre dos socialistas espanhóis em Aragão, obtido em 2015, quando elegeram também 18 deputados.
Por outro lado, o Vox, da extrema-direita, teve 17,9% dos votos e duplicou hoje o número de deputados que já tinha no parlamento regional de Aragão (passou de sete para 14).
Outro derrotado hoje foi o Partido Popular (PP, direita), que, apesar de ter sido o mais votado, com 34%, elegeu apenas 26 deputados, menos dois do que na votação anterior, em maio de 2023, e longe dos 34 necessários para uma maioria absoluta.
Elegeram ainda deputados hoje para o parlamento de Aragão a coligação de esquerda IU-Somar (um deputado, como já tinha), e dois partidos regionalistas - Chunta Aragonesista (de esquerda, que passou de três para seis) e Aragão-Terruel Existe (dois deputados, menos um do que tinha).
Estas foram as primeiras eleições antecipadas em Aragão desde que foi recuperada a democracia em Espanha, após a morte do ditador Francisco Franco, em 1975.
O PP já governava a região e o atual presidente do executivo autonómico, Jorge Azcón, antigo presidente da câmara de Saragoça, a capital aragonesa, recandidatou-se ao cargo.
Jorge Azcón foi investido presidente regional em 2023 com o apoio do Vox, que chegou a integrar o executivo, mas o partido de extrema-direita saiu de todos os governos autonómicos em que estava um ano depois por desentendimentos com o PP relacionados com o acolhimento de menores imigrantes.
Em dezembro passado, Azcón convocou eleições antecipadas depois de o parlamento regional ter chumbado, com os votos contra do Vox, os orçamentos para 2026 que apresentou aos deputados.
Azcón admitiu, nas últimas semanas, que voltará a negociar com o Vox para garantir a viabilização de outro governo liderado pelo PP em Aragão.
O PSOE apresentou como candidata Pilar Alegría, que foi ministra da Educação e porta-voz do Governo de Espanha, liderado por Pedro Sánchez, até há dois meses.
A candidata socialista "não era uma militante qualquer do PSOE, o resultado é outra derrota para Pedro Sánchez" e "o 'sanchismo' está em queda livre", considerou a direção nacional do PP, através do deputado Miguel Tellado, que defendeu que está em marcha um caminho que levará "à mudança no conjunto de Espanha".
Pilar Alegria, por seu turno, reconheceu o mau resultado do PSOE em Aragão e criticou o PP pela antecipação das eleições, numa estratégia política em que acabou por "ficar ainda mais refém da extrema-direita".
As eleições de hoje em Aragão foram as segundas do novo ciclo eleitoral em Espanha, iniciado na Extremadura em dezembro passado.
A estas autonómicas seguir-se-ão outras, em março, em Castela e Leão e, em junho, na Andaluzia; eleições municipais e regionais na maioria das regiões em maio de 2027 e, por fim, legislativas nacionais em julho do mesmo ano.
As eleições de Aragão, como as da Extremadura, coincidiram com um momento de crise e fragilidade do PSOE e de Pedro Sánchez, com dirigentes do partido envolvidos em suspeitas de corrupção e outros casos judiciais, assim com acusações de assédio sexual.
Com cerca de 1,35 milhões de habitantes em 2024 e 47.700 quilómetros quadrados, Aragão tem das densidades populacionais mais baixas das 17 comunidades autónomas de Espanha.
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