PS: Marcelo recusa "visão de país dourado que o Governo procura vender"
- 02/01/2026
O presidente do Partido Socialista (PS), Carlos César, reagiu, esta sexta-feira, à mensagem de Ano Novo do chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, mensagem esta que já ontem, quando foi deixada, recebia algumas críticas - mas também saudações.
"O Partido Socialista saúda o Presidente da República no final deste seu mandato, que procurou desempenhar com especial proximidade e na procura da melhor interpretação do interesse nacional", começou por dizer o líder socialista, em declarações aos jornalistas, nos Açores.
Sublinhando que "são conhecidas as divergências em alguns momentos fundamentais", face a decisões de Marcelo, Carlos César considerou que no conjunto do mandato de Marcelo "se faz uma avaliação positiva, que contribuiu para a consolidação da democracia e do Estado de Direito."
"Compreendemos limitações que Presidente impôs a si próprio nesta fase pré-eleitoral, ao fazer uma declaração de Ano Novo que não foi tão circunstanciada como em ocasiões anteriores. Ouvimos com atenção a sua comunicação, que não deixou de ter um significado e de nos fazer reter essencial da sua mensagem", considerou, deixando que Marcelo "deixou uma mensagem clara no sentido da recusa do inconformismo, que é como quem diz: da recusa de uma visão de um país dourado que o Governo procura vender".
"Por outro lado, da recusa do logro que constitui os que se apresentam como salvadores de ocasiões", afirmou, dizendo que estas mensagens são subscritas pelo PS "no essencial."
Carlos César disse, no entanto, que o que importava ao PS é que os portugueses ganhassem a "esperança e confiança" que estão agora fragilizadas. O socialista referiu que é preciso "reforçar a confiança no Estado de Direito" e acusou o Governo de "incompetência" em resolver aquilo que tem vindo a prometer, nomeadamente, em relação ao Serviço Nacional de Saúde.
"Prova dessa incongruência e incompetência são os diplomas que o Presidente da República acaba de devolver ao Governo sem assinatura, demonstrando que esse reconhecimento também é feito pela Presidência da República", atirou.
Falando também da Economia e trabalhadores, Carlos César apelou a reformas que "não se apresentem como desnecessárias e divisivas."
O líder socialista vincou ainda a adesão à Comunidade Económica Europeia, que foi há 40 anos: "Mário Soares deu uma grande lição que devia ter sido hoje aproveitada pelo atual Governo no sentido de fazer congregar as oposições no grande objetivo que então se propôs e que agora importa reanimar. Vivemos situação de grande fragilidade europeia, de grande indefinição do ponto de vista estratégico e da realização de investimentos fundamentais. Isso deve ser feito no nosso país com diálogo, especialmente entre Governo e oposição."
Carlos César arriscou dizer mesmo que "todas estas matérias teriam certamente sido ditas pelo Presidente, se ele não tivesse imposto a si próprio as limitações decorrentes deste período pré-eleitoral. À falta de ele o ter dito, entendemos que é hoje a altura adequada de o realçar e dizer."















