PS agenda debate sobre mobilidade e sinistralidade em Lisboa
- 20/01/2026
"Em matéria de segurança rodoviária, os números apresentados são particularmente preocupantes. Em apenas três meses, Lisboa registou 184 acidentes rodoviários e 54 atropelamentos", afirmou o deputado municipal do PS André Biveti, com base nos dados da atividade do município entre setembro e novembro de 2025.
O eleito do PS, que é também presidente da Junta de São Vicente, defendeu que a cidade deve assumir a Visão Zero, que tem como premissa que ninguém deve morrer ou ficar gravemente ferido em consequência de um acidente rodoviário, e deve proteger os mais vulneráveis, nomeadamente crianças, idosos e pessoas com mobilidade reduzida.
"A cidade que temos continua a aceitar como normal que eixos estruturantes, como a Avenida da Índia, sejam espaços de risco", lamentou André Biveti, acusando a liderança PSD/CDS-PP/IL de "falta de ambição política".
O socialista considerou que "Lisboa deve ser uma cidade onde a mobilidade é sinónimo de segurança, liberdade e qualidade de vida", que garante a acessibilidade pedonal e que privilegia o transporte público, em que "o automóvel não desaparece, mas deixa de dominar".
"Uma cidade onde o espaço público é partilhado de forma justa entre peões, transportes públicos, mobilidade suave e quem precisa de usar o carro", reivindicou André Biveti, referindo que é preciso resolver o problema estrutural do estacionamento irregular, inclusive com fiscalização eficaz.
O PS realçou ainda a necessidade de um plano de mobilidade específico para o centro histórico da cidade, "onde a pressão automóvel é hoje claramente insustentável e onde fenómenos como a proliferação desregulada dos 'tuk-tuks' continuam sem resposta estrutural".
Em resposta, o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), disse que está de acordo com "muitos pontos" referidos pelo deputado do PS quanto à mobilidade, reconhecendo ao socialista um discurso de "moderação" ao dizer que "o automóvel não desaparece, mas tem de conviver com os outros modos de transporte".
Concordando com a Visão Zero, o autarca do PSD realçou que os números de fatalidades em acidentes rodoviárias têm vindo a reduzir nos últimos anos, de "mais de 20 fatalidades por ano em 2018 e em 2020, para "entre nove a 10 fatalidades por ano", reforçando que o objetivo é ter zero mortes.
Pedro Pinto Jesus, do PS, disse que, "em 2025, sete pessoas morreram atropeladas na cidade de Lisboa, mais do que nos três anos anteriores", e referiu que a informação escrita do presidente, com a atividade do município entre setembro e novembro, "não identifica este problema como prioritário, não apresenta indicadores que ilustram a sua dimensão e, não havendo sequer um diagnóstico, não existe qualquer caminho traçado para lhe dar resposta".
Por isso, o grupo municipal do PS vai avançar com um agendamento potestativo de um debate sobre a sinistralidade rodoviária na cidade, anunciou o socialista.
Carlos Moedas reforçou que a sinistralidade rodoviária "diminuiu de 2018 a 2024", com menos 24% de acidentes com vítimas e menos 58% de vítimas mortais, pedido para que se distribuírem os dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR).
Com o pelouro da Mobilidade, o vice-presidente da câmara, Gonçalo Reis (PSD), considerou "muito bem" o agendamento de um debate e disse que os números que o município dispõe de vítimas mortais em atropelamentos rodoviárias apontam para "cinco em 2021, dois em 2022, quatro em 2023, quatro em 2024 e cinco em 2025".
Gonçalo Reis referiu ainda que a câmara está a trabalhar na área da mobilidade com as 24 juntas de freguesia da cidade, com medidas já em curso, inclusive almofadas redutoras de velocidade e melhor identificação das passadeiras, bem como um plano de acessibilidade pedonal, para a redução da sinistralidade rodoviária.
Leia Também: PS acusa autarquia de "mega-chefia" de 14 mil €/mês nas Águas de Gaia













