Protestos no Irão revelaram fraturas mais abrangentes e profundas
- 19/01/2026
Azadeh Zamirirad, especialista em temas do Médio Oriente no Instituto de Assuntos Internacionais e Segurança alemão (SWP), destacou a adesão à s manifestações de parte da base tradicional de apoio ao regime, nomeadamente os comerciantes do bazar, devido a questões financeiras.Â
"Juntaram-se a algo que podiamos chamar de coligação de protesto formada durante os protestos de Mahsa Amini [em 2022], pois reuniram partes muito diferentes da sociedade iraniana que, no passado, não protestavam necessariamente juntas", disse, durante um 'webinar' organizado pelo centro de estudos britânico Chatham House.Â
Zamirirad salientou que os recentes protestos juntaram manifestantes de diferentes origens religiosas, étnicas e de diferentes classes económicas e alargaram-se desta vez a centros urbanos, em vez de se limitarem a áreas com populações de etnia curda ou baluchi.
A mesma especialista referiu, no evento intitulado "Protestos no Irão: Será que desta vez será diferente", que choques consecutivos, como sanções, ataques militares ou apagões prolongados abalaram a confiança na segurança, estabilidade e perspectivas económicas mÃnimas prometidas pelo regime, mesmo para apoiantes.
Sobre a oposição, Sanam Vakil, investigadora na Chatham House, disse que o filho do antigo xá do Irão Reza Pahlavi representa "uma marca" construÃda em parte com base na nostalgia, mas argumentou que a oposição está fragmentada entre monarquistas, federalistas, nacionalistas e liberais seculares, unidos principalmente na rejeição da República Islâmica, mas sem um roteiro comum.
"Alguns pretendem restaurar a monarquia, mas sem um consenso entre esses grupos, acho que será difÃcil", afirmou Vakil, sublinhando que Pahlavi não construiu uma estrutura organizacional inclusiva ou uma rede de apoio forte dentro do Irão .
Ainda assim, o jornalista iraniano da BBC Shayan Sardarizadeh disse acreditar que "há um nÃvel de descontentamento em massa que é insustentável".
"Há uma população de milhões e milhões de pessoas que basicamente não querem ser governadas por este regime, pela República Islâmica, e isso ficou muito claro. E elas desistiram da ideia de reformas internas", avisou.
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