Protesto no Porto pede intervenção estrangeira no Irão: "Estão a morrer"
- 14/01/2026
Em declarações à Lusa, a porta-voz do protesto, Aida Sigharian, referiu que os manifestantes presentes estudam e trabalham na região do Porto, tendo uma parte deles optado por esconder a cara com medo de represálias.
Afirmando-se ali em solidariedade com o povo iraniano, a porta-voz denunciou que as pessoas no Irão "estão a morrer" por quererem a liberdade, e que desde 28 de dezembro "já morreram mais de 12 mil pessoas" e que "há mais de 100 horas que não há Internet" na República Islâmica.
O Irão está a ser agitado por uma nova vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a mais de 100 cidades do país.
Questionada como conseguiam contactar com os familiares, Aida Sigharian explicou que algumas pessoas, nos primeiros dias, tiveram acesso à plataforma Starlink, detida pelo multimilionário Elon Musk e que permitiu acesso temporário à Internet, mas que agora o regime "recorreu a vírus" para impedir essa comunicação.
Sobre as imagens de mortos nas ruas de Terrão, a cidadã iraniana explicou que são "obra do governo para amedrontar as pessoas", que a contestação "está em todo o país" e que "já há falta de alimentos devido às greves que estão a acontecer".
Laleh Esteki vive com o marido há 15 anos em Portugal, fazendo investigação, e foi de "dias horríveis, sem notícias da família" que falou à Lusa na manifestação.
"A minha preocupação não é a minha família, é o povo do país, o que está a acontecer com as pessoas na rua. As notícias que estamos a ouvir são horríveis", continuou Laleh, disposta a "fazer tudo" pelo seu país, inclusive, permitir a intervenção de um país estrangeiro "porque o Irão precisa de ajuda".
E prosseguiu: "Nós precisamos de apoio. Nós não estamos a pedir ajuda para outras pessoas matarem o povo do país. Não, nós queremos mudar este governo e precisamos de ajuda dos outros países. Precisamos da ajuda dos países europeus. Eles devem fazer qualquer coisa, devem mostrar que nos estão a apoiar, pelo menos [que] não estão a apoiar o nosso governo".
Nos cartazes exibidos durante a ação, escritos em português e inglês, pedia-se democracia para o Irão, mas também apoio militar, bem como era referido que o país estava há 100 horas sem acesso a Internet e que a contabilidade dos mortos ultrapassava as 12 mil pessoas.
Também mostravam a cara de Reza Pahlavi, o príncipe herdeiro e filho do último xá do Irão, ao lado da palavra "King" (rei).
Ostentando um cartaz com a bandeira do Irão, Soheil Mousavi contou estar há oito anos a estudar e a trabalhar em Portugal e que a atual situação lhe provoca sentimentos antagónicos.
"Estamos felizes por um lado, que o povo está a lutar contra esse sistema, mas do outro lado também ouvir as notícias é triste", confessou.
Para Soheil, a solução passa por "apoio dos governos europeus, de todo o mundo, e também do povo no Irão".
"O que sabemos hoje é que, neste momento, em Teerão e noutras cidades do Irão, as pessoas não podem ir para a rua", contou, frisando tratar-se de "uma situação que não dá para esperar muito mais tempo".
As autoridades iranianas receberam inicialmente com compreensão os protestos, mas entretanto endureceram a sua posição e repressão contra os manifestantes, que passaram a ser tratados como terroristas associados aos Estados Unidos e Israel, a que se juntaram entretanto relatos de condenações à pena de morte e execuções extrajudiciais de manifestantes detidos.
O presidente norte-americano, Donald Trump, tem ameaçado repetidamente as autoridades iranianas com uma intervenção militar contra a República Islâmica e instou os manifestantes a prosseguirem os seus protestos.
Leia Também: Irão. ONG eleva para pelo menos 3.428 mortos verificados nos protestos













