Protesto mostra que "a Beira está viva" e é contra mega centrais solares

  • 31/01/2026

O encontro estava agendado para as 14h00 à entrada da estação de comboios de Santa Apolónia, ponto de destino de muitos dos manifestantes após várias horas de viagem até Lisboa. A hora marcada, juntavam-se mais 100 pessoas, vindas de várias zonas da Beira Baixa.

 

Sob o mote "O Interior não está à venda - Não às mega centrais solares", o protesto foi promovido por vários movimentos cívicos que contestam os planos para a instalação de centrais fotovoltaicas em zonas naturais daquela região.

"Não podemos colocar megastruturas desta natureza em áreas rurais onde existe muita atividade económica, onde existe agricultura, onde existe turismo, onde há áreas protegidas, áreas classificadas", contestou Samuel Infante.

À agência Lusa, o representante da Plataforma de Defesa do Parque Natural do Tejo Internacional (PDPNTI) que, na sexta-feira, entregou na Assembleia da República uma petição com mais de 18 mil assinaturas, defendeu uma intervenção do Estado enquanto regulador para assegurar a preservação do ambiente, sublinhando a participação cívica que o tema tem gerado.  

Foi ao som de tambores, chocalhos, adufes, e outros instrumentos tradicionais que os manifestantes percorreram as ruas da zona histórica da capital até ao Rossio, empunhando cartazes onde se liam mensagens como "Ovelhas nos prados, painéis nos telhados" ou "Chamam transição, eu chamo ocupação".

Ao longo do percurso, gritavam que "a Beira está viva" e viajou centenas de quilómetros para mostrar que é contra os planos que algumas empresas têm para a região.

O problema não é a produção de energética solar, garante Bruno Teixeira, do movimento Cidadãos pela Beira Baixa.

"Não estamos contra as energias verdes e a transição energética. Estamos contra este modelo estratégico centralizado e megalómano. É um absurdo", disse, em declarações à Lusa.

Destacando os impactos na vida das pessoas, na paisagem e na biodiversidade, Bruno Teixeira sublinha que as consequências são ainda mais gravosas no que respeita à integridade do solo.

"É mais compreensível quando se fala de biodiversidade, de espécies ameaçadas, como aves, os sobreiros, ou as azinheiras, que são protegidas e estão previstos abates, mas poucas pessoas valorizam que sem solo não sobrevivemos, não subsistimos", afirmou, alertando que "um centímetro de solo demora décadas a construir".

Natural da zona do Porto, Bruno Teixeira mudou-se para o interior, onde reconstruir a sua vida dedicando-se ao turismo rural. Recorda os passeios que faz no Monsanto e, antecipando o futuro, lamenta que em vez do Planalto Beirão, terá um "mar de painéis" para contemplar.  

Também Samuel Infante insistiu que existem alternativas ao modelo centralizado que podem, e devem, ser exploradas.

"Outros países têm exemplos de colocar estas infraestruturas em autoestradas, em linhas de caminhos-de-ferro, em outras infraestruturas lineares que já estão construídas e são artificiais", argumentou, considerando que Portugal tem margem para ir muito além da meta de 5% de produção de energia solar descentralizada.

Aliando-se ao protesto, o coordenador do BE, que acompanhou a manifestação durante parte do percurso, afirmou que "a megaprodução de energia fotovoltaica contraria tudo aquilo que são boas práticas mais do que estabelecidas" e a noção de "uma transição certa".

José Manuel Pureza apontou também o dedo ao Estado, que considerou irresponsável por não incentivar "formas corretas de produção de energia por fontes alternativas".

Recentemente, a comissão de avaliação coordenada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) chumbou o projeto da central fotovoltaica da Beira após identificar impactos negativos significativos ao nível dos sistemas ecológicos e do uso de solo.

O projeto, numa área de 524,4 hectares ocupados por 425.600 módulos fotovoltaicos, abrange os concelhos Castelo Branco e Idanha-a-Nova e a empresa promotora já manifestou interesse em proceder à revisão, dispondo agora de seis meses para o fazer.

Já o projeto da Central Fotovoltaica Sophia, projetada para os concelhos de Fundão, Penamacor e Idanha-a-Nova, encontra-se ainda em fase avaliação ambiental, cujo prazo termina no dia 09 de fevereiro.

Esta central solar fotovoltaica abrange os municípios do Fundão, Idanha-a-Nova e Penamacor, no distrito de Castelo Branco, num total de 390 hectares de área ocupada por módulos fotovoltaicos, 435 hectares considerando todas as infraestruturas, e um total de 1.734 hectares de área vedada.

Leia Também: Governo aprovará investimentos para "transportes mais competitivos"

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/economia/2930160/protesto-mostra-que-a-beira-esta-viva-e-e-contra-mega-centrais-solares#utm_source=rss-ultima-hora&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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