Proteção Civil alerta para impacto de descargas espanholas na Lezíria do Tejo
- 05/02/2026
"O que nós estamos a contar é que o impacto na zona da Lezíria do Tejo, estamos a falar dos municípios, sobretudo, de Santarém para baixo, comece a ocorrer por volta da meia-noite", afirmou Mário Silvestre, comandante nacional de Emergência e Proteção Civil.
O responsável da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) falava num balanço operacional da depressão Leonardo, que se seguiu à Kristin, e acrescentou que se perspetiva "uma noite de muita alerta por toda a população", recomendando a quem estiver "numa zona potencialmente inundável" para tomar "todas as medidas de precaução".
"As previsões apontam para a manutenção dos caudais de descarga que estão neste momento a ser efetuados e, portanto, a nossa maior preocupação está no rio Tejo pelo elevado caudal que está a ser descarregado pelas barragens espanholas", frisou Mário Silvestre, notando que a barragem de Cedillo (Espanha) estava a debitar "caudais na ordem dos 7.000 metros cúbicos por segundo".
A depressão Leonardo, que continua a afetar Portugal continental, de norte a sul, com episódios de chuva "está a provocar, obviamente, um grande impacto do ponto de vista hidrológico" e há um conjunto de rios e albufeiras "já com muita água e com muita dificuldade na gestão desta água", referiu.
O comandante nacional salientou que "os cursos principais dos rios estão extremamente elevados" e "fora da sua margem", implicando "que todas as ribeiras que são seus afluentes acabam por também estar fora das suas margens", com risco não só para as povoações ribeirinhas diretamente afetadas, mas para todas as populações junto a cursos de água.
"As previsões apontam para a manutenção dos caudais de descarga que estão neste momento a ser efetuados e, portanto, a nossa maior preocupação está no rio Tejo pelo elevado caudal que está a ser descarregado pelas barragens espanholas", frisou Mário Silvestre, notando que a barragem de Cedillo (Espanha) estava a debitar "caudais na ordem dos 7.000 metros cúbicos por segundo".
Os principais rios com risco de inundações significativas são o Vouga, Águeda, Mondego, Tejo, Sorraia e Sado.
Os rios com elevado risco de inundação são o Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Lis, e Guadiana.
Mário Silvestre apontou que "o conjunto bastante alargado de municípios" que estão e que "podem ser afetados por estas cheias" é extremamente significativo, levando à ativação de seis planos distritais -- Coimbra, Castelo Branco, Santarém, Leiria, Lisboa, Beja e Setúbal --, e de 85 planos municipais: 15 na região de Coimbra, 12 no Oeste, 11 no Médio Tejo, 10 na Lezíria do Tejo e em Leiria, oito na Beira Baixa e em Aveiro, três no Alentejo Litoral e no Baixo Alentejo, e dois nas Beiras e na Serra da Estrela.
Relativamente às ocorrências, de 01 de fevereiro até hoje, a ANEPC registou 6.796 ocorrências, com 23.833 operacionais envolvidos e 9.422 meios terrestres.
Entre as ocorrências mais significativas, a derrocada na Costa da Caparica obrigou à retirada preventiva dos residentes de três habitações que estavam em risco.
Em Viseu, um movimento de massa, obrigou à evacuação do Hotel Geriátrico Solar do Rio, com a retirada de cinco utentes acamados, 25 autónomos e 37 dependentes, numa articulação com "a Segurança Social e com as forças locais, nomeadamente com os corpos de bombeiros e os Serviços Municipais de Proteção Civil.
Em termos de população deslocada, foram preventivamente identificadas 132 pessoas num lar em Coruche, avançou o comandante nacional, acrescentando que, em Leiria, foram transferidas 145 pessoas, algumas relacionadas com a depressão Leonardo, mas na sequência também do impacto da Kristin.
Em Castelo Branco foram deslocadas 53 pessoas, em Setúbal 15, oito das quais acamadas, do lar da Costa da Caparica, e, "na Trafaria, duas pessoas em local de acolhimento também foram acolhidas temporariamente pelo Serviço Municipal de Proteção Civil".
Em Abrantes, foram evacuados cinco lares, em coordenação também com os bombeiros, a Segurança Social, forças de segurança, Serviço Municipal de Proteção Civil e autarquia, com a retirada de 50 utentes, também já "todos realojados".
O responsável operacional da ANEPC alertou para os riscos das cheias e formação de lençóis de águas e gelo nas estradas, que na Serra da Estrela continua "a haver uma probabilidade muito elevada de queda de neve com grande acumulação" e para "possíveis acidentes na orla costeira, uma vez que continuamos com agitação marítima forte.
[Notícia atualizada às 21h44]
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