Professores pedem a juiz suspensão de ações anti-imigração nas escolas
- 13/02/2026
Na petição judicial apresentada na quinta-feira, educadores de todo o país descreveram casos de rusgas policiais a imigrantes que assustaram os alunos, pais imigrantes que retiraram os seus filhos da escola e relatos de pais e alunos --- incluindo do ensino básico --- detidos pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em paragens de autocarros escolares.
"Nos últimos meses --- e com intensificação nas últimas semanas --- os agentes de imigração têm realizado incursões alarmantes em cidades e vilas de todo o país, incluindo incursões sem precedentes e descontroladas em instituições comunitárias vitais, como escolas e unidades de saúde", escreveram os advogados.
O pedido visa suspender as ações anti-imigração enquanto é julgado um processo judicial que contesta a política do governo de Donald Trump que abriu escolas, locais de culto e instalações médicas à fiscalização por agentes federais.
Este processo foi apresentado no ano passado por um sindicato de trabalhadores rurais do Oregon e por um grupo de igrejas, que argumentaram que a mudança de política era "arbitrária e caprichosa".
A Federação Americana de Professores (AFT), a Associação Nacional de Educação (NEA) e três funcionários de escolas de educação infantil juntaram-se ao processo em setembro.
O Departamento de Segurança Interna não se pronunciou sobre o pedido judicial, mas as autoridades governamentais defenderam a política no passado, afirmando que proibir a atuação de agentes de imigração em escolas, igrejas e outros espaços poderia transformá-los em refúgios para criminosos.
As autoridades afirmaram que o ICE não tem escolas como alvo de operações de fiscalização, mas que houve vários casos nos últimos meses em que agentes de imigração perseguiram ou detiveram pessoas dentro ou perto de propriedades escolares.
Durante mais de três décadas, o governo tinha proibido as autoridades de imigração de realizarem detenções em escolas e locais de culto, política atualizada ao longo dos anos para incluir outras "zonas protegidas", como hospitais e alojamentos para sem-abrigo, para evitar que as ações de fiscalização restringissem o acesso a serviços e atividades essenciais.
Pouco depois de Trump ter tomado posse, a sua administração revogou esta política, emitindo, em vez disso, um memorando de quatro parágrafos que aconselhava os agentes a usarem "uma boa dose de bom senso" quando decidiam se deviam efetuar detenções perto de "zonas protegidas".
À medida que o governo Trump intensificou os seus esforços para deportar milhões de pessoas, algumas das detenções foram feitas perto das escolas durante os horários de entrada e saída dos alunos.
Os autores da ação judicial incluem três educadoras de um jardim de infância no Oregon, onde os agentes do ICE tentaram prender um homem no parque de estacionamento após este ter deixado o seu filho.
Em Chelsea, Massachusetts, a presidente do sindicato dos professores, Kathryn Anderson, disse que com a fiscalização da imigração o sistema escolar perdeu um número significativo de alunos este ano e o absentismo é mais elevado do que o habitual, um impacto mais prejudicial para a aprendizagem do que a pandemia de Covid-19.
O processo judicial incluiu testemunhos anónimos de 60 professores e profissionais de saúde de 18 estados que descreveram como a fiscalização da imigração perto das suas escolas e instalações médicas tem dificultado o seu trabalho.
Durante uma operação em Chicago, em outubro, os agentes lançaram gás lacrimogéneo que atingiu o pátio de uma escola.
Mais tarde, detiveram uma professora dentro de um jardim de infância durante a chegada dos alunos.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) relatou que, numa perseguição, o carro em que a professora seguia dirigiu-se para a escola e que esta se barricou dentro do veículo, obrigando os agentes a entrar. A mulher, que tem autorização de trabalho, foi posteriormente libertada.
Em Minneapolis, os agentes entraram em confronto com populares depois de terem perseguido um homem até uma escola secundária, no final do dia.
Uma professora do ensino básico disse que metade dos alunos faltou às aulas devido a um rumor sobre a presença de agentes de imigração nas proximidades. No mês seguinte, um aluno da escola foi detido numa paragem de autocarro.
Noutro caso, uma terapeuta da fala descreveu que pais imigrantes temiam que assinar documentos para obter serviços de educação especial para os seus filhos atraísse a atenção dos agentes de imigração.
Um professor do ensino secundário relatou que muitos alunos, incluindo imigrantes que ainda estavam a aprender inglês, passaram a utilizar o ensino à distância.
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