Professor finge ser almirante da Marinha Real britânica. Foi condenado
- 07/01/2026
Jonathan Carley, um professor de história reformado, fez-se passar por um contra-almirante da Marinha Real Britânica durante anos a fio.
A primeira aparição de que há conhecimento de Carley - vestido a rigor com a farda oficial, as medalhas falsas e até uma espada - foi em 2018 durante uma cerimónia do Dia da Lembrança (que recorda e homenageia os soldados mortos durante as guerras) no norte do País de Gales.
Num vídeo dessa cerimónia, Carley aparece a fazer um discurso, que, ironicamente, presta tributo à equipa de atores que reencenaram uma cena de guerra.
"Eu acho que ele disse que era da Marinha. Não me lembro de ele me dizer a patente", recordou Andy Gittens, que conheceu Carley pouco antes deste evento, quando ele começou a ir a ensaios no seu coro masculino. "Do que me lembro, ele raramente ia", comentou em entrevista à BBC.
Em 2019, quando o coro marcou presença numa outra cerimónia do Dia da Lembrança, Gittens afirmou que reconheceu imediatamente Carley.
"De repente, ele aparece em uniforme. Normalmente, estes eventos são cobertos pelo Lorde Tenente, mas ele apareceu com uma presença imponente", recordou. "Era totalmente convincente, vestido de forma elegante e com uma espada. Assim que chegou, assumiu o comando."
Apesar da sua surpresa inicial, Giddens disse que nunca duvidou que Carley fosse, efetivamente, um antigo soldado da Marinha Real: "Ele foi bastante acessível, muito simpático e credível".
Só em 2024 é que as suspeitas surgiram
De facto, durante anos o professor de história foi passando despercebido, marcando presença em várias cerimónias sem ninguém desconfiar dele. Foi só em 2024, durante um desfile em Llandudno, que as suspeitas começaram a surgir.
"Ele tinha uma espada enorme com ele e isso foi o que realmente se destacou, porque ninguém ninguém a tinha visto antes", confessou Tony Mottram, que fotografou o evento nesse ano, mas que durante anos tinha trabalhado para a Força Aérea Real.
A espada foi o que chamou a atenção dos restantes militares presentes, mas o foco rapidamente se mudou para as medalhas ao peito de Carley.
O ex-professor usava uma série de medalhas no peito que havia comprado online, incluindo a Ordem de Serviço Distinto (a DSO), concedida apenas por comando e liderança altamente bem-sucedidos durante operações ativas. A medalha foi entregue a poucos militares desde 1979 e, por isso, levantou logo suspeita.
"Ele deixou-se ficar em segundo plano, mas houve dúvidas por causa disso", afirmou. E acrescentou: "Nós todos conhecíamo-nos por nome. Ele mantinha-se afastado. Era um pouco solitário. Ninguém falava com ele".
Mottram disse ter feito o seu melhor para conseguir fotografar o alegado contra-almirante em 2024, mas o homem desapareceu sem deixar rasto.
Almirante foi condenado por usar farda sem autorização
No ano seguinte, o fotógrafo comprometeu-se consigo próprio a prestar mais atenção a Carley.
"Reparei na gola, no corte e no comprimento da túnica. A bainha não estava certa, o comprimento não estava certo. Quando se vai a um desfile ou se vai bem ou não se vai de todo", afirmou.
Wales , UK 🇬🇧
— CHUKWE (@chukwe) January 6, 2026
Jonathan Carley, 65 was arrested after images of him wearing the uniform at a Remembrance Sunday event in Llandudno, north Wales
Also, that’s not a British Naval Salute pic.twitter.com/IWqtFtr2dF
Na cerimónia estava também o suboficial Terry Stewart, que, apesar de não ter estado no evento em 2024, tinha tido conhecimento de Carley.
"Perguntei aos veteranos que estavam por perto se era o mesmo contra-almirante do ano anterior. Eles responderam que sim", contou, acrescentando que, ao saber que se tratava de Carley, se afastou do desfile para poder seguir o almirante.
"Aproximei-me dele, saudei-o e apresentei-me. Informei-o de que os ex-veteranos da Marinha Real não o conheciam e perguntei-lhe o nome", recordou. Carley retribuiu a saudação e deu o seu nome completo, aparentemente "nada" preocupado.
Depois "disse que tinha de ir" e Stewart ficou convencido: tinha acabado de falar com um impostor.
A informação rapidamente chegou aos ouvidos das autoridades, que depressa bateram à porta de Carley, confrontando-o com a situação.
O ex-professor admitiu o engodo, dizendo, durante o seu interrogatório, que se fez passar por almirante por estar à procura de um sentido de "pertença e de afirmação".
Carley foi formalmente acusado de usar um uniforme militar sem autorização e foi condenado na segunda-feira, cinco de janeiro, a pagar uma coima de 500 libras (577 euros). Tornou-se na décima pessoa em toda a Grã-Bretanha a ser acusada deste crime desde o século XIX, quando a lei entrou em vigor.
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