Primeira volta registou 47,7% de abstenção. A maior de sempre foi em 2021
- 08/02/2026
No primeiro sufrágio da atual eleição presidencial, em 18 de janeiro, 5.270.278 eleitores optaram por não votar, com a abstenção a ficar bem abaixo da registada nas eleições de 2021 e de várias anteriores, que já tinham ultrapassado os 50%.
A eleição de 2021 decorreu no momento mais grave da propagação da covid-19 em Portugal, com o baixo número de votantes a ser também justificado pelo recenseamento eleitoral automático dos emigrantes com cartão de cidadão válido, que decorreu de uma mudança à lei, feita em 2018.
Antes da reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa, a mais alta taxa de abstenção em eleições presidenciais no pós-25 de Abril tinha-se verificado na segunda eleição de Aníbal Cavaco Silva, em 2011, quando 53,56% dos eleitores não se dirigiram às urnas.
Nas reeleições ocorre, normalmente, uma menor afluência às urnas, como aconteceu no segundo mandato de Jorge Sampaio, em janeiro de 2001, quando houve 50,29% de abstencionistas.
Mas, mais recentemente, em 2016, quando o atual Presidente da República foi eleito pela primeira vez, a abstenção também ultrapassou a fasquia dos 50%, com 51,3% dos eleitores a renunciar ao voto.
Antes de as taxas superaram os 50%, no século XXI, apenas por três vezes a renúncia ao voto se tinha situado na casa dos 30%: 37,84% na reeleição de Mário Soares, em 1991; 33,71% na primeira eleição de Sampaio, em 1996, e 38,47% no sufrágio ganho por Cavaco Silva, em 2006.
Nos restantes atos eleitorais para Presidente da República, a abstenção variou entre os 24,53%, quando Ramalho Eanes se tornou o primeiro presidente eleito por sufrágio universal, em 1976, e os 24,62% e 21,6%, na primeira e segunda voltas, respetivamente, da eleição de 1986, que elegeu pela primeira vez Mário Soares.
Nesta eleição, da primeira para a segunda volta, que se realizou no dia 16 de fevereiro, votaram mais 194.949 eleitores, segundo os mapas oficiais publicados.
A menor taxa de abstenção em eleições presidenciais registou-se na reeleição do general António Ramalho Eanes, em 1980, cerca de 15%, sendo a eleição presidencial mais concorrida de sempre, com 84,39% de votantes.
O segundo sufrágio da eleição que vai decidir o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa realiza-se numa altura em que dezenas de concelhos do país, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, enfrentam perdas e estragos provocados pelas depressões Kristin e Leonardo, com a destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, queda de árvores, aluimentos, e cortes de energia e de abastecimento de água.
Três municípios - Alcácer do Sal (Setúbal), Arruda dos Vinhos (Lisboa) e Golegã (Santarém) - assolados por cheias, decidiram adiar a eleição para o dia 15 de fevereiro por considerar que não estão reunidas as condições de segurança necessárias para a realização do ato eleitoral.
Treze pessoas morreram desde a semana passada na sequência da intempérie, que provocou também muitas centenas de feridos e desalojados.
Disputam o ato eleitoral António José Seguro, apoiado pelo PS desde a primeira volta e depois pela restante esquerda e por personalidades de vários quadrantes políticos, e André Ventura, líder do Chega.
Leia Também: 2.ª volta: Mais de 11 milhões chamados hoje a eleger sucessor de Marcelo













