Presidente de transição na Guiné-Bissau promovido a general de exército
- 29/01/2026
Horta Inta-a, até aqui major-general, foi promovido na qualidade de Presidente da República de Transição, comandante supremo das forças de defesa e segurança, em representação do Conselho Superior da Defesa Nacional, sob proposta do Governo.
No decreto assinala-se ainda que a promoção acontece após a auscultação do Alto Comando Militar, que tomou o poder na Guiné-Bissau no dia 26 de novembro, e do Conselho de Chefes de Estado Maior.
A patente de general de exército é a mais alta das forças armadas guineenses e consiste em quatro estrelas. É a mesma que era ostentada pelo ex-Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, deposto pelos militares com o golpe de Estado.
No decreto, consultado pela Lusa nas redes sociais, indica-se que Horta Inta-a foi promovido pelo "contributo relevante, contínuo e excecional prestado para a defesa da pátria, a segurança nacional, a estabilidade política e institucional, o equilíbrio e regular funcionamento dos poderes do Estado".
No documento assinala-se ainda que Inta-a foi promovido pelo "elevado desempenho no exercício das altas funções de Chefe de Estado", bem como o seu "papel determinante, enquanto fator aglutinador da unidade nacional e da defesa da democracia".
Horta Inta-a foi designado Presidente da República de Transição um dia após o golpe de Estado que ocorreu na véspera da divulgação dos resultados provisórios das eleições legislativas e presidenciais de 23 de novembro.
O Alto Comando Militar, que tomou o poder, apresentou como alegação para o golpe a iminência de o país entrar numa guerra civil. E marcou novas eleições gerais, legislativas e presidenciais para 06 de dezembro.
Antes, foram proibidas as conferências e declarações públicas não autorizadas, com a justificação de alegadas tentativas de incitação à violência, encontros políticos clandestinos e ameaças a membros do comando.
Uma das primeiras iniciativas legislativas tomadas pelos militares foi a revisão da Constituição, conferindo mais poderes ao Presidente.
A Guiné-Bissau foi suspensa de várias organizações internacionais que pedem a retoma da ordem constitucional e a libertação dos presos políticos, nomeadamente, a União Africana, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que substituiu a Guiné-Bissau na presidência rotativa por Timor-Leste.
A delegação da agência Lusa na Guiné-Bissau está suspensa desde agosto após a expulsão pelo Governo dos representantes dos órgãos de comunicação social portugueses. A cobertura está a ser assegurada à distância.
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