Presidenciais: Ventura queixa-se de cancelamento, Seguro apela à união
- 27/01/2026
No único debate entre os dois candidatos que vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais, André Ventura considerou que as personalidades que têm manifestado apoio a António José Seguro não o fazem pelo candidato, mas para o tentar cancelar.
"É sobre cancelarem-me a mim e cancelarem o projeto de mudança e de rutura com o sistema", defendeu, referindo antigas posições de Cavaco Silva ou Paulo Portas, dois antigos líderes partidários de PSD e CDS-PP, que indicaram que vão votar em Seguro.
O candidato e líder do Chega, que é apoiado pelo partido, alegou também que "este rodopio de supostos apoios a António José Seguro levanta sérias dúvidas sobre se não ficará capturado por estes interesses".
Na resposta, o antigo secretário-geral do PS garantiu que não é capturável e que, se for eleito, exercerá o mandato de Presidente da República com independência.
António José Seguro considerou também que "todas as pessoas têm o direito a mudar de opinião".
"Se o professor Cavaco Silva mudou de opinião, é naturalmente um ato positivo e que vem apoiar a minha candidatura. Eu fico muito satisfeito que existam pessoas de vários campos políticos que apoiem a minha candidatura, mas não apenas a gente da política", afirmou.
"Devo sobre isso dizer que me sinto muito feliz, percebo que é um embaraço porque o senhor deputado André Ventura apelou a que toda a direita se juntasse a si e eles responderam dizendo-lhe: 'preferimos o António José Seguro'. E não é por uma questão ideológica, eles fizeram-no por uma outra opção, é porque devem ter na Presidência da República alguém que garante a proteção do nosso chão comum e esse chão comum é vivermos em democracia, é vivermos em liberdade, é vivermos com respeito e consideração pelos adversários, é não fazermos desinformação, é não recorremos a métodos que não são métodos democráticos", salientou.
Por seu turno, Ventura questionou como é que Seguro irá conseguir unir o país "se nem o Partido Socialista conseguiu unir e agregar" quando foi secretário-geral.
"Porque é que o Governo quer tanto que António José Seguro seja eleito? Porque é que estão a acender velas, como eu li na imprensa, para que António José Seguro seja eleito? Porque sabem que António José Seguro não vai fazer exigência nenhuma, não vai ser exigente de forma nenhuma com o Governo, e por isso querem um Presidente que seja uma espécie de rainha de Inglaterra. E nós não precisamos de rainhas de Inglaterra, nós precisamos de um Presidente que defenda o povo português", acusou o presidente do Chega.
Na resposta, o candidato apoiado pelo PS considerou "inaceitável o que se passa com a saúde em Portugal", considerando que a política tem que encontrar "soluções duradouras para que os portugueses tenham saúde a tempo e horas".
"Eu vim para cooperar e, portanto, todas as quintas-feiras o primeiro-ministro vai a Belém para reunir comigo, se merecer a confiança dos portugueses. E é aí que as exigências se fazem. Há ruído a mais na vida política portuguesa. Há um passa-culpas, uma cultura de passa-culpas", apontou Seguro.
Questionado se a palavra socialista queima, Seguro respondeu negativamente e defendeu que os portugueses o conhecem e sabem de onde vem.
O candidato apoiado pelo PS considerou também que os portugueses querem um Presidente da República "que seja íntegro, que seja experiente e que seja dialogante e que não divida os portugueses, que os una".
"Eu serei Presidente da República independente, comigo as ideologias ficam à porta. Eu não serei nem um primeiro-ministro sombra, nem serei um líder de fação contra outra parte dos portugueses. Isso era o que mais faltava. Eu quero ser o Presidente de todos os portugueses e também dos eleitores do seu partido", indicou.
[Notícia atualizada às 21h37]
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