Presidência cipriota da UE defende diálogo com EUA sobre Gronelândia
- 14/01/2026
"Acredito que, especialmente em situações em que temos este tipo de desacordos em desenvolvimento sobre uma série de questões extremamente importantes e impactantes, a resposta é tentar manter o diálogo", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros do Chipre, Constantinos Kombos, num encontro com jornalistas europeus em Nicósia, incluindo a Lusa.
No âmbito de uma viagem para os jornalistas da presidência cipriota da UE, o chefe da diplomacia do Chipre referiu que, "especialmente quando se trata da Gronelândia, a assertividade precisa ser muito clara no que diz respeito à integridade territorial e à soberania e isso será transmitido publicamente e em mensagens privadas por meio das interações".
Constantinos Kombos defendeu ainda "uma conversa muito profunda, também dentro da UE e dos Estados-membros da NATO [Organização do Tratado do Atlântico Norte]".
Também presente na ocasião, a vice-ministra dos Assuntos Europeus, Marilena Raouna, recordou a "experiência direta" ocupação ilegal da parte norte da República de Chipre pela Turquia, desde 1974, perante as ameaças norte-americanas sobre a Gronelândia.
"Somos o último Estado-membro da UE que se encontra sob ocupação militar", assinalou ainda, destacando que aí "reside a força" do Chipre.
Representantes da Dinamarca e da Gronelândia reúnem-se hoje em Washington com o vice-presidente norte-americano, JD Vance, e o chefe da diplomacia, Marco Rubio, num contexto de tensões sobre o território autónomo dinamarquês, alvo de pretensões do Presidente Donald Trump.
Perante as ameaças norte-americanas, a NATO e a Gronelândia anunciaram na segunda-feira que pretendem trabalhar no reforço da defesa da região autónoma dinamarquesa.
A Gronelândia, uma vasta ilha ártica com uma população de 57.000 habitantes, possui recursos minerais significativos, a maioria dos quais ainda inexplorados, além de uma localização estratégica.
Sobre o Irão, que enfrenta uma onda de protestos que já causou centenas de mortos, o chefe da diplomacia cipriota indicou estar "muito preocupada com os novos desenvolvimentos no terreno", admitindo discussões com outros países sobre novas sanções, quando se equacionam eventuais medidas a adotar na UE contra o regime iraniano.
Constantinos Kombos adiantou ter tido uma chamada telefónica no passado sábado com o Secretário de estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, na qual ficou evidente "o consenso" na condenação à repressão das manifestações e "a necessidade de estar preparado e em alerta" sobre uma crise de maior dimensão.
A Comissão Europeia admitiu, no início da semana, propor novas sanções "mais severas" contra as autoridades do Irão, que teriam de ser aprovadas por unanimidade pelos Estados-membros do bloco comunitário, perante a "repressão violenta" das manifestações que abalam o país.
Já o Parlamento Europeu proibiu, também nessa altura, a entrada de diplomatas iranianos em todas as suas instalações.
O Chipre assume, entre o início de janeiro e final de junho, a presidência rotativa da UE, querendo uma "União autónoma, aberta ao mundo", num momento de fortes tensões geopolíticas, tanto nas relações transatlânticas como no Médio Oriente.
A República de Chipre, que aderiu à UE em 2004, assume a presidência do Conselho pela segunda vez, 14 anos após a primeira presidência em 2012.
Sucede à Dinamarca e será seguida depois, no segundo semestre deste ano, pela Irlanda.
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