Preia-mar das 18h00 provocará inundações no Porto mas de menor dimensão
- 06/02/2026
Em declarações em Miragaia pelas 17h00, Pedro Cervaens admitiu que a maré cheia prevista acontecer entre as 18h00 e as 18h10, no Porto, terá uma "cota que vai atingir o valor mais alto da tarde", mas ainda assim abaixo do verificado de madrugada.
"Daquilo que nós temos acompanhado, acreditamos que não vá atingir o valor que atingiu na madrugada do dia de hoje, que foi 6,15 metros. Poderá andar a rondar os 6 metros aqui no estuário, mas como os caudais foram reduzidos um pouco durante a parte da tarde, a água que afluiu aqui de montante para o estuário foi menor", explicou.
Segundo o responsável da capitania, as "marés estão um pouco mais baixas, portanto as preias-mar estão a sair do período de águas vivas, são mais baixas e as baixas-mar também não vão tão baixo, o que auxilia neste momento a que a cota não suba tanto".
"Neste momento, o que nós esperamos é que ronde entre os 5,9 metros e os 6 metros, o que implica que Miragaia continue a inundar, como já está, e que a Ribeira também tenha alguma água, e do lado de Gaia também, na parte da Afurada e cais de Gaia", assinalou Pedro Cervaens.
No quadro para as próximas horas, o comandante mencionou ainda a subida da água no concelho de Gondomar, explicando que as áreas que foram inundadas durante a madrugada sejam agora menos atingidas.
Neste contexto, e dada a colaboração das pessoas que tomaram medidas preventivas, o comandante afirmou esperar que não haja "ocorrências de grande significado".
Cerca das 16h00, na Ribeira do Porto e na marginal de Gaia poucas eram as esplanadas abertas, enquanto em Miragaia, primeira zona do Porto a inundar, metade da zona baixa estava coberta de água, um cenário que foi evoluindo até à cobertura total perto das 17h30.
Também em Miragaia estava uma equipa de mergulhadores dos Sapadores do Porto, que já haviam colocado na água um bote, que, pelas 16h30, ainda não fora necessário utilizar, disseram à Lusa.
Pedro Cervaens, questionado sobre o que está previsto para os próximos dias, começou por lembrar que sábado chega a tempestade Marta e que, por isso, são de esperar "caudais elevados" nos rios.
"O foco vai continuar a ser aqui no estuário, à altura da preia-mar, e nas albufeiras mais a montante tem que haver alguma gestão para que aquelas zonas que estão já um bocado sobrecarregadas, como no Peso da Régua, [onde a água] já atingiu a marginal durante o dia de hoje, subiu a cota de 11 metros, agora está estável ali a rondar os 10, mas já tem algum impacto na cidade", disse.
O comandante mencionou ainda a situação em Lamego para referir que "tem que haver um pouco esta gestão da parte do concessionário, em conjugação com a APA [Agência Portuguesa do Ambiente] e naturalmente com os comandos sub-regionais".
O rio Douro transbordou hoje de madrugada para as margens do Porto e de Nova de Gaia, com a água a entrar na zona das esplanadas, sem causar para danos significativos.
A Capitania do Douro alterou o alerta de iminência de cheias de laranja para vermelho, estando já interditada a navegação no rio e ativadas medidas restritivas específicas dos planos municipais de intervenção.
Portugal está a ser afetado pela passagem da depressão Leonardo, com chuva persistente e por vezes forte.
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