Preços dos carros não devem aumentar muito em 2026 e 2027. Porquê?
- 22/01/2026
Nos próximos dois anos, os consturtores não devem poder fazer aumentos consideráveis dos preços dos automóveis. É uma das previsões da Morningstar DBRS para o setor, que também antevê um ano de 2026 desafiante para o setor automóvel e aumento de dois por cento nas vendas de carros ligeiros de passageiros.
Em termos concretos, a consultora aponta que os desafios na indústria, o crescimento lento e a concorrência intensa faz com que não espere que a qualidade de crédito do setor automóvel global "melhore significativamente nos próximos dois anos".
"Esperamos que o volume de veículos de passageiros aumente apenas modestamente nos próximos dois anos e que a quota de veículos elétricos a bateria e híbridos continue a aumentar na Ásia e na Europa", referem os autores da análise hoje divulgada.
Na sua opinião, a atual tendência negativa para o 'rating' de crédito "reflete a diminuição agregada da margem de manobra das classificações de crédito", alertando que "pode levar a ações negativas de classificação de crédito em 2026".
Para 2026 e 2027, a Morningstar DBRS estima um crescimento de cerca de 2 por cento nas vendas globais de veículos, apesar de uma desaceleração na China, o maior mercado mundial, pela diminuição dos incentivos.
O mercado dos EUA deverá manter-se estável, próximo dos 16 milhões de automóveis, enquanto na Europa deverá haver "uma ligeira recuperação" nos veículos de passageiro, cujo volume de vendas deverá crescer 2 por cento, para 13,5 milhões, sobretudo pelo crescimento de híbridos e elétricos a bateria.
Preços não devem aumentar muito
Quanto aos preços, a Morningstar DBRS acredita que, devido ao ambiente económico de baixo crescimento e ao excesso de capacidade de produção na China e na Europa, as fabricantes não tenham margem para aumentos significativos dos preços nos próximos dois anos.
Carros eletrificados
No capítulo da eletrificação, a consultora estima que, este ano, a quota de registos de veículos híbridos e exclusivos elétricos represente 65 por cento na China e 30 por cento na Europa, fruto do desenvolvimento da infraestrutura de carregamento e desenvolvimentos na tecnologia de baterias.
Nos EUA, deverá haver uma estagnação na adoção de veículos totalmente elétricos, numa consequência da retirada da política de incentivos, falhas na infraestruturas e custos elevados - levando algumas fabricantes a focar-se na produção de híbridos e veículos com motor de combustão interna.
Face a um mercado global tão diversificado, os autores deste comentário antecipam que as fabricantes também diversifiquem as suas estratégias, com "um foco aumentado em termos de mercados, tecnologias e classe de veículos".
A Morningstar DBRS registou ainda que o ambiente competitivo na China está a prejudicar as fabricantes estrangeiras no país e que a transição tecnológica na Europa e na Ásia compreende investimentos fortes, "o que está a pressionar as margens operacionais e os fluxos de caixa".
A isto, junta-se o impacto das taxas alfandegárias, que "continuam a contribuir para incertezas geopolíticas e regulatórias, com um potencial impacto adverso na operação e desempenho financeiro das fabricantes".
Os autores do comentário acreditam que estas incertezas irão continuar a médio prazo.














