Portugal vai ter banco de recursos genéticos marinhos em 2027
- 16/01/2026
O biobanco azul representa um investimento superior a quatro milhões de euros e deverá estar concluído no final do próximo ano.
Para a concretização da iniciativa o município de Oeiras e o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) assinam hoje um contrato-programa para apoiar a criação do biobanco nacional, que vai preservar, estudar e valorizar os recursos biológicos marinhos do país.
Salvador Malheiro disse que o projeto será comparticipado em cerca de dois milhões de euros pelo instrumento financeiro Mar 2030 (financiamento para o setor das pescas, aquicultura e economia azul) no que respeita a equipamentos, com mais dois milhões a cargo da autarquia de Oeiras, para o edifício.
"Esta vai ser uma infraestrutura crítica para apoio àquilo a que chamamos a Economia Azul, nomeadamente nas áreas da biotecnologia azul. Estamos a falar desde a aquicultura às pescas, farmacêutica, cosmética, e tudo isto visando apoiar também a instalação de ´startups´", disse o secretário de Estado.
Segundo Salvador Malheiro, essas empresas terão um suporte, não só de acesso a materiais genéticos marinhos mas também a equipamento de ponta e a uma infraestrutura laboratorial dedicada, e que será disponibilizada para facilitar o desenvolvimento e inovação em meio empresarial.
A biotecnologia azul consiste na aplicação de recursos genéticos marinhos a vários subprodutos da indústria, como a farmacêutica, a cosmética, os biomateriais, os têxteis, ou as rações, um setor "altamente qualificado" e com empregabilidade que pode levar, exemplificou o governante, à criação de novos subprodutos, que inclusivamente podem substituir o recurso a energia fóssil.
Salvador Malheiro disse à Lusa que o primeiro passo para a criação do Genemar coincide com a entrada em vigor, no sábado, do Tratado do Alto Mar, já ratificado por Portugal e que contém regras para o uso do mar fora das jurisdições nacionais.
"Com o Genemar estamos a falar de futuro, de colocar Portugal mais uma vez na linha da frente e afirmando-se como uma nação marítima de excelência, também em matéria de recursos marinhos genéticos", disse.
O secretário de Estado destacou que, usando verbas do Plano de Recuperação e Resiliência, "Portugal está a apostar nas mais variadas dimensões da economia azul", e disse que o Genemar se enquadra numa "estratégia global".
A procura e posse dos recursos marinhos genéticos será uma das "lutas" dos próximos anos nos Estados marinhos, afirmou.
A criação do Genemar, segundo o presidente da Câmara de Oeiras, citado num comunicado sobre o evento de hoje, vai impulsionar o programa estratégico de Oeiras Valley para os recursos marinhos, contribuindo para o desenvolvimento da economia nacional.
A celebração do contrato com o IPMA é "um passo decisivo na consolidação de Oeiras como território de ciência, inovação e conhecimento aplicado ao mar", disse, citado no comunicado.
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