Portugal vai mesmo a votos no domingo. Que municípios são a exceção?
- 06/02/2026
Portugal vai mesmo a eleições no próximo domingo, 8 de fevereiro, para eleger o seu próximo Presidente da República.
Apesar de André Ventura ter proposto que as eleições presidencias fossem adiadas, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) já explicou que a lei "não permite" o adiamento geral do sufrágio a nível nacional, mas apenas nos municípios que o solicitem.
Na declaração feita na noite de quinta-feira ao país, após estar reunido em Conselho de Ministros, Luís Montenegro afirmou também que o Governo considera que "na esmagadora maioria do país" há condições para se realizar a segunda volta das eleições presidenciais no domingo e fez "um apelo veemente" à participação.
Já o ainda Chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que a lei eleitoral não foi mudada e não permite adiar as eleições presidenciais na globalidade do país. Portanto, esta é "uma questão que não se põe".
Ventura "está a brincar com uma coisa que não devia"
Do ponto de vista jurídico, a proposta de André Ventura não tem qualquer efeito, como defendeu o constitucionalista Pedro Alves, quando questionado pela CNN Portugal sobre o impacto da posição do candidato. "André Ventura devia ter o sentido de responsabilidade, mas como sempre lhe falta. Devia perceber a lei, porque ele conhece a lei, é jurista e é um bom jurista", atirou o especialista.
O constitucionalista acusa ainda o líder do Chega de instrumentalizar o momento. "Sabe o que está a fazer e está a brincar com uma coisa com a qual não devia estar", acrescentando que Ventura "devia esforçar-se para garantir que as eleições pudessem ser realizadas no maior número de sítios possível e não criar um problema em cima daquele que, infelizmente, por força das condições meteorológicas, já temos".
Já António José Seguro "não vê problema" em adiar eleições para dia 15, mas só nos concelhos em que "não há condições". Para o candidato presidencial, o que Ventura sugeriu foi apenas mais uma manobra eleitoral do opositor e o que é necessário fazer é apelar ao voto.
Que municípios já anunciaram o adiamento?
Pombal, uma das zonas mais afetadas pelas tempestades dos últimos dias, considera que o município está em condições para que todos os residentes possam votar no próximo domingo.
Porém, pelo menos três concelhos dizimados pelas depressões Kristin e Leonardo não estão em condições de assegurar o mesmo. São eles Alcácer do Sal, Golegã e Arruda dos Vinhos.
Em Alcácer do Sal, onde mais de 200 pessoas já tiveram de ser retiradas das suas casas devido às cheias, o anúncio foi feito pela presidente, Clarisse Campos.
"Já tínhamos refletido ontem [quarta-feira] e falado com os presidentes de junta sobre essa eventualidade e hoje concretizámos com o envio às entidades competentes dessa decisão de não realizar as eleições" anunciou a autarca.
"Não temos mesmo condições. Temos muitas localidades que estão isoladas, algumas delas onde funcionam mesas de voto. Temos toda a zona baixa da cidade completamente inundada", pelo que "era impensável que o ato eleitoral se realizasse com as mínimas condições", reconheceu.
Por sua vez, na Golegã, o objetivo é evitar a deslocação de pessoas por motivos de segurança, devido ao mau tempo.
"Face aos eventos meteorológicos dos últimos dias e consequente ativação do Plano Municipal de Emergência, o dia da eleição para o Presidente da República - 2.º Sufrágio, que estava previsto realizar-se no dia 8 de fevereiro, realizar-se-á no dia 15 de fevereiro de 2026, nos locais e horários anteriormente definidos" também Arruda dos Vinhos vai adiar o sufrágio, como anunciou a autarquia num comunicado enviado às redações.
Recorde-se que hoje é o último dia de campanha de António José Seguro e André Ventura. Os candidatos presidenciais que passaram à segunda volta vão estar ambos em Alcácer do Sal, uma das zonas mais fustigadas pelo mau tempo dos últimos dias.
Portugal vai assim a votos, na sua generalidade, no próximo dia 8 de fevereiro, tal como o previsto.
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