Portugal vai apoiar Moçambique com medicamentos e dispositivos médicos
- 08/02/2026
O novo apoio de medicamentos e dispositivos médios, que será entregue pela Força de Apoio Militar a Emergências Civis de Reação Imediata (FAMECRI) portuguesa ao Estado moçambicano, enquadra-se na ajuda humanitária concedida por Portugal em resposta à emergência decorrente das cheias que assolam aquele país africano desde o início do ano, segundo um comunicado da embaixada portuguesa.
"A FAMECRI é uma força do Comando Conjunto para as Operações Militares (CCOM), do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA). Esta equipa integrou a operação KANIMAMBO, que tem vindo a apoiar as populações afetadas por inundações e cheias nas províncias de Maputo e Gaza", lê-se no comunicado.
De acordo com o documento, no âmbito desta operação humanitária, foram realizadas 910 consultas presenciais e disponibilizados 200 mil medicamentos, dispositivos médicos e artigos de higienização da água, tendo sido destacadas ainda equipas médicas e de apoio para os distritos de Boane, Manhiça, Magude, Chokwè e Xai-Xai que "prestaram assistência direta, doaram medicamentos e material médico-sanitário, apoiaram tecnicamente as equipas locais e realizaram análises de água para consumo".
A embaixada portuguesa afirma ainda que, "no que respeita ao apoio civil-militar, foram igualmente entregues diversos materiais essenciais, dos quais se destacam mais de duas toneladas de produtos alimentares e utensílios de cozinha".
Quanto ao transporte através de botes, o comunicado salienta "o apoio concedido no transporte de 752 pessoas e de 5 toneladas de bens de primeira necessidade, por via fluvial".
A missão, segundo a embaixada, também foi responsável por trabalhos em infraestruturas comunitárias como a reparação de sistemas de recolha de águas fluviais, construção de rampas de acesso para mobilidade reduzida e reparação de infraestruturas de abastecimento de água.
Além da ajuda da FAMECRI, a Cruz Vermelha Portuguesa e a Fundação Aga Khan vão doar uma nova carga de 21 toneladas de bens humanitários, compostos, maioritariamente, por bens alimentares e materiais de abrigo, que serão canalizados para as populações através das delegações destas redes humanitárias no país.
"Esta carga enquadra-se na ponte aérea humanitária da União Europeia, ao abrigo do ReliefEU Humanitarian Air Bridge, contando também com apoio humanitário mobilizado pela Bélgica, França e Suécia, totalizando 93 toneladas de 'kits' médicos, bens alimentares, abrigos, equipamentos de água, saneamento e higiene. A entrega formal destes materiais terá lugar na próxima segunda-feira", avança o documento.
Segundo o documento, o novo apoio português soma-se à contribuição de um milhão de euros para assistência alimentar no âmbito do programa Food from Ukraine e 300 mil euros para as Nações Unidas (OCHA) destinada à assistência imediata às populações.
"Portugal estará sempre ao lado de Moçambique e da população afetada pelo flagelo das cheias mobilizando apoios bilaterais e multilaterais para aliviar o sofrimento do povo moçambicano", acrescenta-se.
O número de mortos nas cheias de janeiro em Moçambique subiu para 25, com 724.385 afetados, de acordo com dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
Segundo informação da base de dados do INGD, a que a Lusa teve acesso, com informação até às 14h30 (12h30 de Lisboa) de quinta-feira, as cheias que se registam em vários pontos de Moçambique já afetaram o equivalente a 170.392 famílias.
Desde 07 de janeiro, foram registados ainda 147 feridos e nove desaparecidos na sequência destas cheias, além de 3.587 casas parcialmente destruídas, 885 totalmente destruídas e 166.081 inundadas, agravando os números anteriores.
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