Portugal saúda reeleição de Touadéra e recorda "compromisso bilateral"
- 22/01/2026
Numa mensagem divulgada na rede social X, o ministério liderado por Paulo Rangel saudou a realização de eleições na República Centro-Africana.
"Felicitamos o Presidente Touadéra pela sua reeleição, sublinhando o papel que Portugal desempenha no seio da MINUSCA e reafirmando o nosso compromisso com o diálogo bilateral, a nível europeu e das Nações Unidas", pode ler-se.
O Tribunal Constitucional da RCA anunciou na segunda-feira a reeleição de Faustin Touadéra para um terceiro mandato, rejeitando o recurso da oposição para anular os resultados.
Segundo os resultados definitivos anunciados pelo Tribunal Constitucional da RCA, Touadéra venceu as eleições, com 77,90% dos votos, e o seu principal opositor, Anicet George Dologuélé, que denunciou uma fraude maciça durante as eleições e apresentou um recurso para anular os resultados provisórios, que foi rejeitado, ficou em segundo lugar, com 13,50% dos votos.
Eleito pela primeira vez em 2016 e depois em 2020, numa votação já marcada por acusações de fraude, Faustin Touadéra é criticado pela oposição por ter aprovado, em julho de 2023, uma nova Constituição que lhe permitiu recandidatar-se a um terceiro mandato.
De acordo com a Autoridade Nacional Eleitoral (ANE), 52,43% dos eleitores foram às urnas para as quatro eleições - presidencial, legislativa, regional e municipal -, organizadas no final de dezembro num contexto de tensão em termos de segurança.
A RCA é um dos países mais pobres do mundo, dependente da ajuda internacional e cujos solos ricos em urânio, lítio, diamantes, madeira e ouro são particularmente cobiçados.
Mais de 70% da população de cerca de 5,5 milhões de pessoas deste país africano vive abaixo do limiar da pobreza, enfrentando condições de vida precárias, com falta de serviços básicos, estradas intransitáveis, desemprego endémico, baixa taxa de escolaridade e custo de vida cada vez mais elevado.
Fundada em 2014 para apoiar os esforços de estabilização na RCA, a Minusca contribuiu para a assinatura do Acordo de Paz de 2019 com os grupos armados do país e, desde então, tem apoiado mecanismos de paz locais e operações de desmobilização e desarmamento que levaram mais de 6.300 combatentes a depor as armas.
A missão das Nações Unidas participou também na organização de várias eleições, incluindo as históricas eleições de 28 de dezembro, que contaram com quatro votações simultâneas, incluindo eleições municipais, as primeiras deste tipo em 37 anos.
Em outubro, a Minusca mantinha cerca de 17.420 militares e polícias destacados para apoiar a paz e a estabilidade na RCA, um país atingido por anos de conflito armado e crise humanitária.
Portugal, um dos países que integra a Minusca, tinha na altura 220 operacionais na 17.ª Força Nacional Destacada para o país, segundo o Ministério da Defesa Nacional.
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