População de Alcácer do Sal une-se para apoiar famílias e negócios
- 06/02/2026
Na zona periférica da cidade alentejana, uma fábrica de pinhão tornou-se num armazém de recolha de bens essenciais para ajudar a população afetada.
Sofia Rosa, uma das proprietárias da fábrica, encontra-se, juntamente com a irmã, Maria João Rosa, a coordenar, de forma voluntária, as doações, que são cada vez mais.
"Disponibilizámo-nos para ajudar a câmara municipal [de Alcácer do Sal] e a população. Já há mais na cidade, mas somos um ponto de recolha de bens essenciais que irão fazer falta às pessoas brevemente", conta à Lusa Sofia Rosa.
Os bens essenciais recebidos vão desde peças de vestuário até produtos de higiene. E a solidariedade tem sido tanta que as irmãs, que se mostram gratas pelas doações, até pediram às pessoas para esperarem um bocadinho, porque não estão a conseguir dar vazão aos muitos bens que recebem.
Um trabalho articulado entre o armazém, a Câmara Municipal e Junta de Freguesia de Alcácer do Sal, empresas e a população ajudam as inúmeras famílias afetadas pelas cheias que, desde a quarta-feira da semana passada, assolam a baixa da cidade e também povoações do concelho.
"Neste momento, os 'kits' [compostos por bens essenciais] são pequenos, porque o acesso às famílias ainda é reduzido, não há estradas, há aldeias em que o acesso é só de barco", afirma Sofia.
Nesses 'kits', enviam "o que é necessário, roupa de homem, o tamanho que vestem, os bens necessários de comida, a higiene pessoal", sendo depois tudo colocado dentro de um saco levado aos serviços de ação social do município.
A agência Lusa, que visitou hoje o espaço, pôde observar que não paravam de chegar carrinhas com ajuda, vindas por exemplo de concelhos vizinhos, como Cabrela, no município Montemor-o-Novo, distrito de Évora, ou do Carvalhal, no de Grândola, distrito de Setúbal.
Pelo menos 20 pessoas ajudavam no local, incluindo Madalena Mateus, que disse à Lusa que não conseguia estar em casa sem fazer nada e decidiu pôr 'mão à obra'.
"Foi uma ideia que surgiu destas pessoas que aqui estão, da Sofia, da Maria João, da Madalena e foi abraçar este projeto, porque acho que temos que ser uns para os outros e só juntos, com amor e com união, é que conseguimos reerguer esta cidade", frisa.
Além deste casão, existe outro, destinado a recolher alimentação e produtos de limpeza, artigos que são mais necessários depois de as cheias passarem, segundo Sofia Rosa.
Apesar dos dias difíceis causados pelas cheias e do infortúnio que o mau tempo fez 'cair' sobre Alcácer do Sal, as pessoas uniram-se solidariamente e ajudam-se umas às outras, mantendo sempre um pensamento positivo.
Outro exemplo desse 'laço' de solidariedade é a angariação de fundos para ajudar os negócios locais que está a decorrer, iniciada por Maria Jones, uma das comerciantes que também viu o seu negócio afetado.
A angariação, que arrancou esta terça-feira, já reuniu "um valor significativo", conta à Lusa Maria Jones, acrescentando que a autarquia vai arranjar uma lista com o nome de todos os comerciantes afetados para, depois, o dinheiro angariado ser dividido de igual forma por todos.
Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.














