População de Alcácer do Sal contabiliza estragos e teme novas cheias
- 30/01/2026
Hoje de manhã, a população das zonas mais afetadas deparou-se com uma melhoria da situação, com menos água acumulada nas ruas, mas com lama, paus e folhas espalhados pela cidade.
No largo do mercado, próximo da Avenida dos Aviadores, Graciete Quita Quita, proprietária do café O Cantinho do Mercado, encontrou o estabelecimento destruído e ainda com água e terra.
"As máquinas estão todas estragadas", disse Graciete Quita Quita, que tem o café há cerca de 20 anos, contabilizando cinco a seis máquina destruídas, incluindo aquelas onde tinha alimentos guardados.
Quando a água começou a subir, Graciete Quita Quita estava no estabelecimento e conseguiu ainda salvar algumas coisas, contou hoje à Lusa.
"Ontem [quinta-feira] vim cá, mas não se podia entrar por causa da água", relatou.
Já duas vendedoras do Mercado Municipal, que está a ser limpo por funcionários do município e trabalhadores do equipamento, mostravam-se transtornadas com a situação, confessando estar a ser muito difícil lidar com tudo.
"Tivemos de vir à pressa na quinta-feira à noite. Já tínhamos água pelos tornozelos. Foi tirar as frutas das bancas, meter em caixas e colocar nos sítios mais altos para não estarem sujeitas a apanhar água da inundação. Foi tentar tirar os bens possíveis para levar dentro de sacos", contou Bruna Santana.
Ana Monteiro revelou que levou as coisas mais importantes do negócio, como balanças e faturas, para casa.
Segundo as vendedoras, a água fora do edifício "estava mais elevada" e chegaram a andar com água por volta da cintura.
"Agora é ver os estragos, o que se pode fazer e quando é que isto abrirá", acrescentou Bruna Santana.
As duas vendedoras pensam que até ao momento não têm prejuízo, embora haja "muita sujeira".
Num cenário de caos pela cidade, com sacos com areia nas portas, um carro incendiado, funcionários da autarquia com mangueiras, pás e vassouras a limpar e estradas cortadas, hoje de manhã via-se também uma pilha de 'dossiers', papéis e calculadoras de um escritório de contabilidade, que perdeu quase todo o arquivo.
Apesar de o prejuízo a nível monetário não ser muito, segundo o contabilista José Revés, não foi possível recuperar os documentos que estavam em pastas e acabaram por ir para o lixo. Já os equipamentos eletrónicos, como computadores, conseguiram ser salvos.
"A Câmara [de Alcácer do Sal], na medida do possível, tem passado aqui com carrinhas e tem feito limpezas", disse José Revés, acrescentando que também tem tido ajuda de amigos e da população local.
Nas conversas pelos cafés, a população vai falando do medo que a água do rio volte a subir e provoque mais inundações e estragos, mas também da ajuda que o município e os moradores da cidade têm prestado, nomeadamente na entrega de alimentos e medicação.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de dia 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.
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