Pequim acusa EUA de saque económico contra Taiwan com pressões sobre TSMC
- 14/01/2026
Em conferência de imprensa, a porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, Zhu Fenglian, reagiu à possibilidade de um acordo comercial entre Washington e Taipé, noticiada pelo jornal New York Times, classificando-o como "um ato de espólio económico" que usa as taxas alfandegárias como alavanca para "esvaziar a base industrial" da ilha.
Zhu acusou os EUA de quererem transformar Taiwan "numa peça" da sua estratégia industrial, enquanto criticou o Partido Democrático Progressista (PDP), no poder em Taipé, por alegadamente ceder à pressão de Washington.
Segundo a porta-voz, a aceitação de uma possível redução de tarifas em troca da transferência de capacidades tecnológicas da TSMC para os EUA colocaria em risco o desenvolvimento económico de longo prazo da ilha e prejudicaria a população.
As declarações surgem após o Governo taiwanês ter confirmado um "consenso geral" com Washington para concluir um acordo que incluiria a redução de tarifas de 20% para 15% sobre alguns produtos da ilha, bem como novos compromissos de investimento da TSMC nos EUA -- ponto que as autoridades de Taipé não detalharam.
Em agosto passado, os EUA impuseram tarifas de 20% sobre produtos oriundos de Taiwan, com exceção dos semicondutores e dispositivos eletrónicos. O anúncio levou a um processo negocial no qual Taiwan tenta obter um regime tarifário preferencial.
Paralelamente, a TSMC anunciou planos para aumentar o volume de investimento nos EUA até 165 mil milhões de dólares (141 mil milhões de euros). A empresa opera já uma fábrica de semicondutores no Arizona e prevê iniciar a produção em massa numa segunda unidade em 2027.
Pequim considera Taiwan uma "parte inalienável" do seu território e não exclui o uso da força para concretizar o que considera ser a 'reunificação' com a ilha, um dos objetivos estratégicos traçados pelo Presidente chinês, Xi Jinping, desde que assumiu o poder, em 2012.
Taiwan, governada desde 2016 pelo PDP, partido com tendência pró-soberania, defende que é, de facto, um país independente e que o futuro da ilha só pode ser decidido pelos 23 milhões de habitantes.
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