Pelo menos 10 mortos por violência eleitoral no Bangladesh desde outubro
- 15/02/2026
De acordo com um relatório da organização sem fins lucrativos Sociedade de Apoio aos Direitos Humanos (HRSS na sigla em língua inglesa), divulgado hoje, registaram-se mais de 700 incidentes de violência relacionados com as eleições, desde outubro de 2025.
As eleições para escolher o próximo Governo do Bangladesh realizaram-se em 12 de fevereiro, tendo dado a vitória ao Partido Nacionalista do Bangladesh (BNP), na primeira votação organizada desde a insurreição que causou a queda do regime de Sheikh Hasina em 2024.
De outubro até 14 de fevereiro (dois dias após a eleição), "mais de 34 pessoas foram baleadas e foram registados mais de 500 incidentes de vandalismo, incêndios criminosos e saques dirigidos a casas, veículos, estabelecimentos comerciais, escritórios eleitorais e centros de votação", refere-se no documento.
O relatório atribui os casos de violência a confrontos entre simpatizantes de diferentes formações e às disputas entre candidatos.
O balanço da HRSS inclui conflitos intrapartidários, ataques a centros de votação e uma onda de vandalismo que resultou em saques e incêndios de casas, negócios e veículos, além de denúncias de roubos de urnas e episódios de violência de género.
Relativamente ao dia das eleições, 12 de fevereiro, o relatório contabiliza 393 incidentes relativos à votação, incluindo distúrbios em centros eleitorais, roubos de urnas e preenchimento de boletins. A violência afetou especialmente as mulheres, que sofreram assédio repetidamente.
Em relação à violência pós-eleitoral, o relatório refere atos em várias partes do Bangladesh.
Em três incidentes separados, dois jovens foram assassinados em Munshiganj (centro do país) e Bagerhat (sudoeste), e uma criança foi assassinada em Haluaghat (centro norte), indica-se ainda no documento.
A Sociedade de Apoio aos Direitos Humanos exigiu investigações exaustivas e imparciais, pedindo que as futuras autoridades tomem medidas preventivas para pôr fim à violência em futuros processos eleitorais.
O Partido Nacionalista do Bangladesh (BNP) conquistou a maioria absoluta. O partido liderado por Tarique Rahman obteve 212 dos 300 mandatos em disputa, contra 77 da coligação liderada pelos islâmicos do Jamaat-e-Islami, declarou o primeiro secretário da comissão, Akhtar Ahmed, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).
As eleições foram organizadas por um governo interino liderado pelo prémio Nobel da Paz Muhammad Yunus, formado após a queda do regime de Hasina na sequência de protestos generalizados contra o nepotismo no país asiático.
Hasina, que fugiu para a Índia em 2025, foi condenada à morte à revelia por crimes contra a humanidade por ter ordenado a repressão dos protestos, com quase 1.400 mortos, segundo dados das Nações Unidas.
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