PayServices apresenta queixa por corrupção contra a RDCongo
- 14/01/2026
A empresa, sediada em Idaho, no noroeste dos Estados Unidos, afirma na queixa, de acordo com a agência francesa de notícias, a France-Presse (AFP), ter sido convidada no final de 2023 pelo governo da República Democrática do Congo (RDCongo) para criar uma "'joint venture' destinada a revitalizar o banco público congolês e a digitalizar e modernizar" a economia do país.
A PayServices, que se apresenta como uma "instituição financeira", afirma ter "aceitado este contrato proposto e investido mais de 72 milhões de dólares [62 milhões de euros] em tecnologias e serviços na RDCongo para lançar esta joint venture".
O contrato, explica a AFP citando a queixa entregue nos tribunais norte-americanos, "obrigava" a RDCongo a pagar 20 milhões de dólares, cerca de 17 milhões de euros, à PayServices "no prazo de 14 dias", de acordo com o texto.
Posteriormente, "vários responsáveis corruptos da RDCongo sem o conhecimento do presidente" congolês, Félix Tshisekedi, "conspiraram para exigir subornos à PayServices", afirma a empresa.
Entre os responsáveis visados figuram, nomeadamente, a ministra responsável pela pasta do Estado, Julie Mbuyi Shiku, o ministro das Finanças, Doudou Roussel Fwamba, e o governador do Banco Central da RDCongo, André Wameso Nkualoloki.
Colaboradores próximos do Presidente Félix Tshisekedi, como o seu chefe de gabinete, também são citados nesta queixa.
"Quando estes pedidos foram recusados, os réus individuais conspiraram para sabotar e violar o contrato e pôr fim ao projeto", afirma a empresa PayServices, "provavelmente em benefício de empresas tecnológicas concorrentes dispostas a pagar esses subornos".
A empresa americana reclama 20 milhões de dólares em danos e juros à RDCongo e ao Ministério do Orçamento, bem como o reembolso de "pelo menos" 72 milhões de dólares que afirma ter investido.
Em resposta, o Ministério do Orçamento denunciou num comunicado acusações "desprovidas de qualquer base jurídica, orçamental ou contabilística" e afirma que a PayServices "criou uma falsa aparência de regulamentação de solvabilidade" ao apresentar-se como um banco às autoridades congolesas, quando "a PayServices nunca teve a qualidade jurídica de instituição bancária".
"Neste contexto, as autoridades puseram fim a qualquer seguimento administrativo dado a este processo, a fim de proteger o Tesouro Público", argumenta ainda o ministério, citado pela AFP.
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