Patriarca de Lisboa pede aos polÃticos atenção à natalidade e saúde
- 16/01/2026
Salientando que cada eleição, como as presidenciais de domingo, constitui "a expressão de um regime democrático que, com suor, sangue e lágrimas foi instituÃdo" e está na base do "Portugal moderno", Rui Valério recordou que "votar é um ato superior de cidadania" e um "ato de cidadania altamente altruÃsta".
Por isso, "quem deixa de ir votar é quase que uma pessoa que se autoexclui desta tarefa, árdua, complicada e exigente de pensar o todo da sociedade", referiu.
Nesta "eleição presidencial vou além do refrão de que se quer alguém que cumpra e faça cumprir a Constituição", mas "o que me interessa a mim, num polÃtico, é a sua visão para o paÃs", afirmou Rui Valério, que foi anteriormente bispo das Forças Armadas.
Por isso, "aquilo que mais denuncio é a ausência de um plano, de um projeto, de um projeto integral para o nosso paÃs", que "está a viver atualmente desafios a que tem de comparecer e tem de responder", salientou o arcebispo de Lisboa, que defendeu um papel reforçado da Europa nos desafios de cada Estado-membro.
"Eu acredito em Deus, mas também tenho um carinho pela Europa", disse, sorrindo e afirmando-se um "europeÃsta convicto" que gostaria ver Bruxelas a ter um papel mais interventivo.
"Para o Portugal atual, os desafios que se colocam exigem-se pessoas, Presidente [da República] e Governo, entre outras instâncias de elevada responsabilidade na coisa pública, que tenham verdadeiramente uma visão do paÃs. É o que eu e os católicos esperamos", disse.
Mas "estou certo de que o bom senso, discernimento e a maturidade democrática do povo português é suficiente para no domingo fazer a escolha certa", estimou.
No plano nacional, Rui Valério colocou a natalidade como uma das principais preocupações a que os polÃticos devem acudir, procurando "abraçar seriamente essa prioridade", que "implica, desde logo, dar condições à s famÃlias, nomeadamente aos jovens, uma boa assistência e boa segurança", nomeadamente na área da saúde, para que uma mãe "possa ser socorrida e atendida" quando precisa.
Outra das questões que preocupa o patriarca é a "assimetria entre o litoral e o interior", que cria "um Portugal muito desigual", apelando aos polÃticos que sigam o exemplo de sinodalidade da Igreja Católica, um processo global promovido pelo Papa Francisco que implica a audição das comunidades locais.
"A sinodalidade tem de ser feita ao nÃvel da nossa estruturação polÃtica" e "um paÃs sinodal é um paÃs em que as suas regiões têm respostas para o todo", explicou Rui Valério.
Depois, o patriarca de Lisboa colocou os temas da educação, saúde, justiça e imigração como prioridades para os polÃticos, que devem promover "um acordo de regime" para ferir os problemas existentes.
Mas, nesse pedido, Rui Valério também apelou à União Europeia que defenda o Estado social europeu.
"Gostava de ver a nossa União Europeia mais proativa naquilo que são estes problemas e estas dificuldades", porque o modelo "está a passar um perÃodo de alguma dificuldade, que não é só cá em Portugal, é em todo o lado".
Leia Também: Constitucionalista alerta para "colonização pelos partidos" em Belém













