Passou um cheque (de 20 euros) careca em 2014. ICE tentou deportá-la
- 11/02/2026
As histórias das detenções realizadas pelo ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos) não param de surgir, e cada uma mais inusitada do que a anterior. Donna Hughes-Brown tem uma destas histórias.
Tudo começou em julho do ano passado, quando Donna decidiu sair do território norte-americano pela primeira vez em quase uma década. Uma tia tinha morrido e, por isso, Donna, originalmente da Irlanda, deslocou-se ao país com o marido, Jim Brown para o funeral.
Ao regressarem, Donna foi chamada à parte quando o casal estava passar pela zona de alfândega e imigração dos Estados Unidos. Questionaram-na sobre o seu histórico de viagens, mas acabaram por deixá-la embarcar no voo.
Foi apenas quando estavam a chegar ao destino, ao aeroporto de O’Hare, em Chicago, que uma comissária de bordo fez um anúncio que Donna achou estranho. À saída, todos os passageiros tinham de mostrar os seus passaportes.
Os agentes armados que estavam a fazer a fiscalização estavam à espera de Donna. A mulher de 59 anos foi detida e passou a noite numa cela no aeroporto. Apesar das suas questões constantes, sobre o porquê de ter sido detida, só na manhã seguinte é que recebeu a papelada.
Donna tinha sido detida por, em 2014, ter passado um cheque de 25 dólares (cerca de 20 euros) sem fundos. O assunto, no entanto, não estava pendente na justiça. Donna declarou-se culpada, pagou a indemnização e as custas judiciais logo em 2015, e prosseguiu com a sua vida, sem nunca mais se lembrar sequer do caso.
Na altura, contou ao The Washington Post, estava a viver salário a salário e não se apercebeu que não tinha o dinheiro na conta e que o cheque ia voltar para trás.
Para além desse caso, o governo citava também uma situação em 2012, que teria contornos semelhantes. Questionada sobre esse incidente, Donna teve dificuldade em se recordar, mas acha que terá sido por um cheque de 50 dólares (pouco mais de 40 euros) que também terá voltado para trás. O caso não pode ser consultado, o que significa que terá sido indeferido ou anulado.
Os dois crimes menores (e cuja pena já tinha sido cumprida) foram razão suficiente para Donna ser levada para uma prisão local no Kentucky, com vários outros detidos pelo ICE. Ficou lá durante 143 dias, quase cinco meses, sempre a ser ameaçada de que a sua deportação estava iminente. Foi libertada em dezembro de 2025.
Durante esse tempo, viveu a mais de 600 quilómetros de casa, num pequeno módulo com dezenas de outras mulheres, dormindo em beliches de metal, cobertos com colchões finos. As celas eram imundas, com insetos a subir pelos canos, fezes nas paredes e sanitas entupidas durante dias a fio.
Lá conheceu várias mulheres em situações semelhantes à sua. Beata Siemionkowicz é residente legal nos Estados Unidos desde 1995. Em agosto, foi detida pelo ICE devido a dois casos de furtos menores que ocorreram em 2005 e 2011.
É de Beata, mas também de Jeimy, da Guatemala, casada com um norte-americano, e de Grace, uma mulher venezuelana com uma doença cardíaca, que Donna se lembra de forma recorrente. É por elas que a irlandesa está agora decidida a lutar, para que possam ser libertadas e regressem às suas vidas, como as imigrantes legais que são.
Donna Hughes-Brown, note-se, está legal nos Estados Unidos desde a infância. Imigrou legalmente com os pais em 1978, com apenas 11 anos, e é detentora de um cartão de residência permanente há cerca de 30 anos. Para além disso, o marido, é também norte-americano, o que, de acordo com a lei dos Estados Unidos, lhe garante direito a um visa para permanecer legalmente no país.
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