Passou 27 anos no corredor da morte por homicídio de bebé. Foi libertado
- 29/11/2025
Um norte-americano que passou 27 anos no corredor da morte por ter sido condenado pelo homicídio da filha da sua namorada, em 1998, foi libertado após o pagamento de uma fiança de 150 mil dólares (cerca de 129.360 euros), na quarta-feira.
A condenação de Jimmie Duncan foi anulada no início deste ano, quase três décadas depois de ter sido considerado culpado de violar e afogar Haley Oliveaux, de 23 meses. A menina era filha de Allison Layton Statham, sua namorada à época, noticiou a Associated Press.
O mesmo meio adiantou que o juiz Alvin Sharp, do Quarto Tribunal Distrital Judicial, considerou que os indícios que levaram à condenação de Duncan "não eram cientificamente defensáveis" e que a morte da menina aparentava ter sido o resultado de um "afogamento acidental".
"A presunção de que ele é culpado não é grande", redigiu Sharp, na sexta-feira.
Os advogados de defesa argumentaram que a decisão concedeu "provas claras e convincentes de que Duncan é, de facto, inocente", ao mesmo tempo que apontaram que a libertação do homem "representa um passo significativo para a absolvição total".
Saliente-se, contudo, que a anulação está a ser avaliada pelo Supremo Tribunal do Louisiana.
A mãe de Haley, que esteve presente na audiência, admitiu estar convencida da inocência do ex-namorado. Isto porque, de acordo com Allison Layton Statham, a menina tinha histórico de convulsões, o que torna plausível a hipótese de um afogamento acidental.
"Haley morreu porque estava doente", defendeu, atirando que as vidas da sua família e de Duncan "foram destruídas pela mentira" inventada pelos procuradores e pelos peritos forenses.
"A história de terror que divulgaram e que profanou a memória da minha bebé deixa-me furiosa"
Note-se que a acusação foi feita com base na análise de marcas de mordidelas e numa autópsia realizada por dois especialistas que, posteriormente, foram associados a pelo menos 10 condenações sem fundamento.
Um vídeo gravado durante as perícias mostra um dos peritos a pressionar com "força um molde dos dentes de Duncan no corpo da criança – criando as mordidelas", segundo um documento apresentado pela defesa. Mais tarde, um especialista nomeado pelo Estado, que não tinha visto as imagens, testemunhou que as marcas eram compatíveis com os dentes do suspeito.
"A história de terror que divulgaram e que profanou a memória da minha bebé deixa-me furiosa. Não fui informada de nada que pudesse exonerar Duncan. Se tivesse sido, as coisas teriam sido muito diferentes para Duncan e para as nossas famílias", assinalou Statham.
Apesar de as provas com base em mordidelas serem consideradas pseudociência, os procuradores continuam a tentar restabelecer a condenação de Duncan, justificando que a decisão do júri popular, em 1994, deveria ser suficiente.
Jimmie Duncan, que foi descrito pela sua equipa como um "prisioneiro modelo", que ajudou outros a obter o diploma do ensino secundário, era um dos 55 reclusos no corredor da morte no estado do Louisiana, na prisão de Angola. Em março, foi feita a primeira execução em 15 anos.
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