Partido no governo italiano pede demissão de Francesca Albanese
- 11/02/2026
"A Liga tem apenas uma exigência relativamente a Albanese: a demissão!", disseram deputados do partido de extrema-direita, que apresentaram uma resolução, juntando-se "à França e a todos os outros países para apelar à relatora especial das Nações Unidas para os Territórios Palestinianos que deixe imediatamente o cargo".
"Quem chama a Israel - por exemplo - de 'inimigo comum da humanidade' tem poucas razões para se declarar imparcial e está a alimentar mais do que legítimas suspeitas sobre o seu antissemitismo", consideraram os deputados.
Francesca Albanese já negou ter feito estas declarações sobre Israel.
A Liga é um dos partidos da coligação governamental liderada por Giorgia Meloni, a par do partido da primeira-ministra Irmãos de Itália (nacionalista e conservador) e o Força Itália (direita).
Os judeus italianos já tinham saudado o apelo do executivo francês.
"É bom que uma voz do Governo francês se junte à nossa ao apelar ao reconhecimento, nas palavras insanas proferidas por Albanese, de um ódio profundo e destrutivo não só ao direito de Israel e do povo judeu à existência, mas também às nossas democracias", afirmou à agência italiana ANSA Noemi Di Segni, presidente da União das Comunidades Judaicas Italianas (UCEI).
"Albanese, com a sua proximidade com os mais altos escalões do Hamas, representa um perigo real, e é lamentável que haja quem, mesmo dentro do quadro parlamentar e institucional italiano, a considere uma verdadeira 'relatora' a ser homenageada", disse Di Segni.
Albanese, natural de Avellino (sul de Itália), de 48 anos e licenciada pela Universidade de Pisa, é relatora da ONU há mais de três anos.
Foi acusada de justificar os ataques sem precedentes do movimento islamita palestiniano Hamas a Israel a 07 de outubro de 2023, enquanto atribuiu a Telavive a autoria de um genocídio na Faixa de Gaza.
França, membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, defendeu hoje a demissão da relatora especial da ONU para os territórios palestinianos, Francesca Albanese, após "comentários escandalosos e condenáveis", disse o chefe da diplomacia francesa.
"França condena sem reservas os comentários escandalosos e condenáveis da senhora Francesca Albanese, que não são dirigidos ao Governo israelita, cujas políticas podem ser criticadas, mas sim a Israel enquanto povo e nação, o que é absolutamente inaceitável", disse Jean-Noël Barrot, numa intervenção no parlamento.
As autoridades francesas vão formalizar o pedido numa reunião do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, em 23 de fevereiro.
A posição do ministro dos Negócios Estrangeiros surge um dia depois de cerca de 50 eleitos do Renascimento, partido do Presidente Emmanuel Macron, lhe terem dirigido uma carta a pedir sanções contra Francesca Albanese e o seu "afastamento de qualquer mandato na ONU com efeito imediato".
Intervindo por videoconferência no sábado, num fórum organizado em Doha pelo canal qatari Al-Jazeera, Albanese falou de um "inimigo comum" que, considerou, permitiu um "genocídio" em Gaza.
"O facto de que, em vez de parar Israel, a maioria dos países do mundo o tenha armado, lhe dado desculpas políticas, um guarda-chuva político, bem como apoio económico e financeiro, é um desafio", afirmou.
"Nós, que não controlamos um vasto capital financeiro, nem algoritmos, nem armas, agora vemos que, como humanidade, temos um inimigo comum", acrescentou.
Numa publicação nas redes sociais na segunda-feira, Albanese defendeu-se das críticas dizendo que "o inimigo comum da humanidade é O SISTEMA que permitiu o genocídio na Palestina", recorrendo à escrita em letras maiúsculas para enfatizar a mensagem.
Em 07 de outubro de 2023, o grupo extremista palestiniano Hamas conduziu um ataque contra Israel, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 sequestradas.
Em retaliação do ataque do Hamas, Israel lançou uma operação militar em grande escala na Faixa de Gaza, que provocou mais de 72 mil mortos, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.
Um acordo de cessar-fogo está em vigor desde 10 de outubro de 2025.
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