Paris Hilton recorda divulgação de vídeo íntimo. Escândalo? "Foi abuso"
- 24/01/2026
Paris Hilton defendeu a lei de interrupção de imagens explícitas falsificadas e edições não consensuais (DEFIANCE Act, na sigla em inglês), na quinta-feira, dia 22 de janeiro. Um ano depois de ter feito campanha para aprovar um projeto de lei que implementou a proteção de jovens institucionalizados, a celebridade voltou ao Capitólio dos Estados Unidos para partilhar a sua experiência pessoal com o objetivo de trazer mudanças.
"Ao regressar ao Capitólio, sinto algo novo, força", começou por dizer ao lado da congressista Alexandria Ocasio-Cortez , que desempenhou um papel fundamental na defesa do projeto de lei.
"Quando tinha 19 anos, foi divulgado um vídeo íntimo meu sem o meu consentimento. As pessoas chamaram a isso de escândalo. Não foi. Foi abuso. Não havia leis na época para me proteger. Não havia nem palavras para descrever o que me fizeram. A internet ainda era uma novidade, assim como a crueldade que a acompanhava", lembrou Paris Hilton.
"Gozaram-me. Riram-se de mim e transformaram-me em piada. Venderam a minha dor para ganhar cliques e depois mandaram-me calar a boca, seguir em frente, até mesmo ser grata pela atenção", relatou.
"Estas pessoas não me viam como uma jovem que tinha sido explorada. Não viam o pânico que sentia, a humilhação ou a vergonha. Ninguém me perguntou o que é que eu tinha perdido - eu perdi o controlo do meu corpo, a minha reputação. A minha segurança e autoestima foram-me roubadas", desabafou.
Nos anos que se seguiram após ter sido divulgada a sex tape, em 2004, que mostrava Paris Hilton com o ex-namorado Rick Salomon, a empresária "lutou muito para recuperar essas imagens". E achava que tinha conseguido, mas com o avanço da inteligência artificial, tudo se tornou mais fácil na criação de conteúdos sexuais de qualquer pessoal.
"Acreditava que o pior já tinha passado, mas não passou. O que me aconteceu naquela época está a acontecer agora com milhões de mulheres e meninas de uma nova forma e muito mais assustadora. Antes, alguém tinha que trair a nossa confiança e roubar algo real. Agora, tudo o que é preciso é um computador e a imaginação de um estranho. A pornografia deepfake tornou-se numa epidemia", lamentou.
Se a lei DEFIANCE foi aprovada, refere ainda a People, vai permitir que as vítimas tenham o direito de entrar com ações judiciais contra criadores e distribuidores de deepfakes pornográficos gerados por inteligência artificial.
Paris Hilton revelou também que existem "mais de 100 mil imagens deepfake explícitas" suas que foram "criadas por inteligência artificial".
“Nenhuma delas é real, nenhuma delas é consensual. E cada vez que uma nova aparece, aquela sensação horrível volta, aquele medo de que alguém em algum sítio esteja a olhar para elas agora e a pensar que é real. Nenhuma quantia de dinheiro ou advogado pode impedir isto ou proteger-me. É a forma mais recente de vitimização que está a acontecer em grande escala, com as vossas filhas, as vossas irmãs, amigas e vizinhas."
"Tenho uma filha de apenas dois anos e meio, e faria qualquer coisa para protegê-la. Mas não posso protegê-la disto, ainda não. E é por isso que estou aqui. Isto não se trata apenas de tecnologia, trata-se de poder. Trata-se de usar a imagem de alguém para humilhar, silenciar e roubar a nossa dignidade. As vítimas merecem mais do que desculpas posteriores. Merecemos justiça."
A People indica que o marido de Paris Hilton, Carter Reum, esteve presente a apoiar a celebridade enquanto esta discursava no Capitólio.
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