Para poder aceder ao Eliseu, Le Pen recua e já admite crime involuntário

  • 13/01/2026

A líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, mudou de estratégia no julgamento de recurso hoje iniciado em Paris, admitindo poder ter involuntariamente cometido um crime, para reduzir a pena e poder candidatar-se às presidenciais de 2027.

 

"Se cometi um crime, como todos parecem dizer que fizemos, nunca tivemos a sensação de ter cometido a mais pequena infração", disse Le Pen aos juízes, na primeira vez que reconhece que pode ter cometido um crime no financiamento do seu partido com fundos do Parlamento Europeu.

A sua posição, secundada pela maioria dos outros 11 arguidos - dos 25 condenados em primeira instância, metade não recorreu da sentença -, marca uma viragem na sua linha de defesa, que até agora se mostrara inflexível, negando qualquer irregularidade e até contestando a legitimidade dos tribunais para fiscalizar o trabalho parlamentar.

Le Pen foi condenada em março de 2025 por desvio de fundos públicos a quatro anos de prisão, dois dos quais serão cumpridos em prisão domiciliária com pulseira eletrónica, uma multa de 100 mil euros e, mais importante, uma inibição de cinco anos de exercício de qualquer cargo público, com efeitos imediatos, e está a tentar obter um aligeiramento da sentença, para poder candidatar-se ao Eliseu pela quarta vez.

Enfrenta uma pena máxima de 10 anos de prisão. Os juízes do julgamento consideraram-na culpada de criar um "sistema" entre 2004 e 2016 para desviar fundos atribuídos pelo Parlamento Europeu aos eurodeputados, destinados ao pagamento dos seus assistentes pelas funções desempenhadas em Bruxelas e Estrasburgo.

A imposição preventiva da inibição de exercício de cargos públicos a que foi condenada em primeira instância deveu-se sobretudo à sua obstinação em não reconhecer o crime, o que, para os juízes, constituí um risco de reincidência.

A líder da extrema-direita, que tinha feito muitas declarações à comunicação social durante o anterior julgamento, reservou agora as suas palavras para os juízes e saiu do tribunal sem prestar declarações - mais uma mudança na sua estratégia de politizar o caso e de se apresentar ao público como uma vítima de perseguição judicial.

Le Pen usou de um tom diferente perante os magistrados, que já tinham lido durante horas a acusação que serviu de base à sua condenação em primeira instância.

Na sentença proferida em março passado, os juízes situaram-na no topo de um esquema concebido pelo seu pai, e que ela promoveu durante três legislaturas, que consistia em pagar a assistentes parlamentares que, na realidade, trabalhavam para o seu partido, a União Nacional (RN, na sigla francesa), com fundos do Parlamento Europeu.

Entre 2004 e 2016, ficou provado que foram desviados mais de 4,4 milhões de euros.

No final da leitura, Le Pen tomou a palavra para justificar o seu recurso e fê-lo com um argumento inovador, o da involuntariedade e transparência das suas ações, acusando o Parlamento Europeu de não ter alertado para que estavam a agir contra as suas regras.

"Nunca escondemos nada, nem as nossas atividades, nem os nossos contratos. Estavam à vista de todos", insistiu.

Um a um, os restantes acusados, como o ex-tesoureiro Wallerand de Saint-Just e o seu antigo braço direito, Louis Aliot, reiteraram o mesmo argumento de que pensavam estar a agir em perfeita legalidade quando contrataram assistentes parlamentares para realizar trabalho partidário.

Uma estratégia coordenada que é fruto de uma reflexão jurídica com a qual Le Pen procura esgotar as suas últimas hipóteses de poder aceder ao Palácio do Eliseu, numa eleição em que as sondagens a colocam como principal favorita.

"Eles parecem já não contestar que cometeram um crime (...), mas teremos de ver durante as audiências", que decorrerão até 11 de fevereiro, disse à imprensa o advogado do Parlamento Europeu Patrick Maisonneuve, insistindo na existência de um desvio de fundos que a extrema-direita até agora negou.

Embora Marine Le Pen não tenha perdido a esperança de ser absolvida, uma condenação não a impedirá de se candidatar às eleições presidenciais de 2027, mas apenas em duas circunstâncias: se qualquer eventual pena de inelegibilidade for inferior a dois anos e se os juízes se abstiverem de lhe impor o uso de uma pulseira eletrónica, considerada incompatível com uma campanha eleitoral.

Ela indicou, em todo o caso, que a decisão do Tribunal de Recurso -- que é esperada no verão - determinará o seu futuro, sem esperar por uma eventual decisão do Tribunal de Cassação, a mais alta instância judicial de França, embora este último pretenda pronunciar-se, se necessário, antes da eleição presidencial.

Nove meses após a sua condenação, a imagem de Marine Le Pen já se deteriorou perante o público, e a ideia de Jordan Bardella, atual líder da RN, se candidatar à presidência como seu substituto tornou-se o cenário mais provável.

Apesar disso, no outono, Marine Le Pen fez questão de reiterar ser "absolutamente certo" que voltaria a candidatar-se à presidência se fosse elegível, embora reconhecendo ao mesmo tempo que, caso tal não acontecesse, "Jordan Bardella poderia vencer" em seu lugar.

Há já algum tempo que o partido da extrema-direita francesa está a trabalhar numa eventual candidatura de substituição de Bardella, o braço direito de Le Pen, que aos 30 anos já deu provas de grande eficácia eleitoral como cabeça de lista às eleições europeias de 2024, em que obteve uma vitória esmagadora.

Bem posicionado nas sondagens, em algumas delas até melhor que Le Pen, o jovem político tem-se mantido afastado do processo contra a sua mentora, para evitar que a sua imagem seja manchada, continuando a trabalhar na postura de estadista, reforçada por uma boa gestão das redes sociais e do contacto direto com o público, que transformou os seus livros em êxitos de vendas.

Leia Também: Macron fala com Frederiksen sobre Gronelândia e acelera abertura de consulado

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2918854/para-poder-aceder-ao-eliseu-le-pen-recua-e-ja-admite-crime-involuntario#utm_source=rss-ultima-hora&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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