Papa Leão XIV em Portugal? "Fiquei com a esperança de isso acontecer"
- 02/02/2026
O chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, foi esta segunda-feira, 2 de fevereiro, recebido pelo Papa Leão XIV na Cidade do Vaticano, com quem esteve reunido a sós durante 25 minutos.
Após a audiência, que decorreu na biblioteca privada do Papa no Palácio Apostólico, o Presidente da República falou aos jornalistas.
A resposta mais esperada era se Leão XIV aceitou o convite para vir a Portugal em 2027, nos 110 anos de Fátima.
Marcelo admitiu que ficou com "esperança" de isso acontecer mas não devido a uma resposta direita por parte do Sumo Pontífice.
"Eles nunca dizem imediatamente que sim", começou por dizer, lembrando que o Papa Francisco também não aceitou logo.
"O Papa Leão XIV intervem em declarações muito curtas e muito diretas e, em muitos casos, para ganhar tempo, diz que sim com a cabeça ou demonstra uma concordância gestual e aí - eu não quero antecipar o Papa - mas fiquei com a esperança de isso corresponder a uma realidade", realçou.
Questionado sobre a possibilidade de estar à espera de saber quem será o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa, o ainda Presidente da República notou que o convite foi feito "em concordância com o Governo" e que, "é óbvio" o novo Chefe de Estado terá a "oportunidade de formalizar" o mesmo.
Sobre o Papa Leão XIV, o Presidente da República revelou que este tem "um estilo completamente diferente do Papa Francisco". "O Papa Francisco era mais discursivo, mais emotivo, mais efusivo e, portanto, mais longo. Aqui temos um Papa americano, muito racional, com ideias muito organizadas, fala curto e, por isso, eu preparei a minha intervenção para falar curtíssimo", disse Marcelo.
Além do convite para vir a Fátima, o Chefe de Estado falou com o Sumo Pontífice sobre as mudanças políticas em Portugal, a mudanças de bispos e a calamidade que ocorreu na região Centro, com a passagem da depressão Kristin. "Eu agradeci-lhe muito a carta e ele exprimiu a sua benção especial para todos os que sofreram e para as comunidades em geral", afirmou ainda, acrescentando que Leão XIV ficou "surpreendido por serem tantos municípios atingidos".
Apesar de terem estamos juntos apenas 25 minutos, Marcelo e Leão XIV tiveram ainda tempo para falar do "estado de Portugal em geral, como é que vai economicamente, politicamente, como é que vai a Europa, como é a situação europeia, a guerra na Ucrânia, a Europa como um todo, neste presente e no futuro" e ainda falar dos "países de língua oficial portuguesa", "do mundo, como é que está o mundo e as perspectivas".
"Depois ainda quis saber alguns pormenores, o que é que eu ia fazer, o que não ia fazer a seguir. Eu respondi que queria ensinar e ele concordou com a ideia de ensinar os mais novos", explicou o ainda Presidente da República, com um sorriso.
Recorde-se que esta é a última viagem oficial de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República.
Depois do encontro a sós com Leão XIV, houve um momento alargado à comitiva do chefe de Estado português, com a habitual troca de presentes.
Marcelo Rebelo de Sousa ofereceu ao Papa Leão XIV uma pintura miniatura portuguesa do século XVII que representa Santo Agostinho, com moldura em talha dourada do século XVIII, um registo religioso da autoria de Branca Franco e o livro "Dez anos por Portugal", uma edição da Presidência da República que reúne fotografias dos seus dois mandatos.
Após a audiência papal, o Presidente da República foi recebido pelo cardeal secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, durante cerca de 45 minutos.
A comunicação social não pôde entrar no palácio, apenas registar a chegada do chefe de Estado ao Pátio de São Dâmaso, pelas 11h25 locais (10h25 em Lisboa), perante um destacamento honorífico da Guarda Suíça Pontifícia, e a saída, cerca das 13h15 locais.
Antes, o Presidente da República visitou o túmulo do Papa Francisco, na Basílica de Santa Maria Maior, onde depositou um ramo de sete rosas brancas, e juntou-se à missa que decorria na Capela Paulina deste templo mariano, uma das quatro basílicas papais de Roma.
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