Papa Leão XIV deverá visitar Madrid, Barcelona e Canárias este ano
- 09/01/2026
O Papa Leão XIV deverá visitar Espanha já durante este ano de 2026, com paragens em Madrid, Barcelona e Canárias. Segundo um cardeal espanhol, o líder da Igreja Católica pretende cumprir o desejo do seu antecessor, o Papa Francisco, de visitar um importante ponte de entrada de migrantes na Europa.
A informação foi avançada pelo cardeal José Cobo Cano, arcebispo de Madrid, após uma reunião com um alto funcionário da Secretaria de Estado do Vaticano, de acordo com a agência de notícias The Associated Press (AP).
Os planos da viagem já estão em curso e, apesar de junho ter sido considerado como uma possível data, o cardeal adiantou que a data final ainda não está definida.
O responsável adiantou, ainda, que a atual proposta prevê que Leão XIV visite a capital, Madrid, e a cidade de Barcelona, onde visitará a Basílica da Sagrada Família, no ano em que se assinala o centenário da morte arquiteto da basílica, Antoni Gaudí. Em abril, pouco tempo antes de morrer, o Papa Francisco aprovou a publicação do decreto que reconhe as "virtudes heroicas" de Gaudí, abrindo caminho à sua beatificação.
O plano prevê ainda que Leão XIV visite as Canárias, uma das principais portas de entreda de migrantes da África Ocidental na Europa. Francisco, que ao longo de 12 anos nunca visitou Espanha, esperava visitar as Canárias numa iniciativa de aproximação aos migrantes e refugiados.
Governo espanhol e igreja católica chegam a acordo sobre abusos
A notícia da visita surge um dia após o governo espanhol e a Conferência Episcopal terem assinado um acordo que prevê que a igreja católica de Espanha assuma a reparação de centenas de vítimas de abusos sexuais cujos casos não podem já ter resposta por via judicial.
Em causa estão indemnizações económicas ou outro tipo de reparações simbólicas de vítimas de crimes sexuais no âmbito da Igreja católica em Espanha cujos casos serão processados e analisados através de uma estrutura da Provedoria de Justiça, revelou o presidente da Conferência Episcopal, Luis Argüello, e ministro da Justiça, Félix Bolãnos, em declarações aos jornalistas em Madrid, após a assinatura do acordo.
O parlamento espanhol decidiu em 10 de março de 2022 criar uma comissão presidida pelo provedor de Justiça, Ángel Gabilondo, para investigar, pela primeira vez de forma oficial, os abusos a menores no seio da Igreja Católica.
Num relatório apresentado em outubro de 2024, o provedor revelou terem sido recolhidos 674 testemunhos de abusos sexuais cometidos "no âmbito da Igreja Católica" em Espanha e apelou às instituições públicas para avançarem com formas de compensação das vítimas.
A comissão considerou válidos pelo menos 516 desses testemunhos.
O relatório da Provedoria de Justiça incluiu também o resultado de uma sondagem que estima que 1,3% da população adulta de Espanha foi vítima deste tipo de crimes, o que equivale a cerca de 445 mil pessoas.
Segundo a mesma estimativa, 0,6% dos abusos (envolvendo perto de 236.500 vítimas) foram cometidos por sacerdotes ou outros membros da Igreja Católica.
Na sequência deste relatório, o governo espanhol aprovou no mesmo ano um plano para ressarcir as vítimas destes abusos e disse ter iniciado negociações com os bispos para ser a instituição a assumir os custos das indemnizações.
O objetivo do governo espanhol é atender a casos de abusos sexuais que não tiveram resposta judicial, por serem antigos e já terem prescrito ou por dificuldade de obtenção de provas, explicou na altura o ministro da Presidência, Félix Bolaños.














