Palestinianos acumulam-se dos dois lados da passagem de Rafah
- 03/02/2026
Na parte egípcia, encontravam-se palestinianos que fugiram no início da guerra, há mais de dois anos, entre Israel e o grupo islamita palestiniano Hamas, noticiou a emissora estatal egípcia Al-Qahera News.
Do lado da Faixa de Gaza, os habitantes que necessitam de tratamento indisponível no enclave foram levados em autocarros pelo Crescente Vermelho Palestiniano da sede da agência no território, na esperança de poderem sair pela passagem de Rafah, reaberta parcialmente na segunda-feira após mais de um ano de encerramento, descreveu a agência de notícias Associated Press (AP).
No primeiro dia de reabertura de Rafah, foram necessárias mais de 10 horas para que apenas um pequeno grupo de pessoas cruzasse a fronteira em cada direção, incluindo cindo doentes e sete acompanhantes para o Egito.
Previa-se que cerca de 200 pessoas usassem a passagem diariamente: 50 a entrar e 150 (50 doentes e 100 acompanhantes) a sair, mas os números são bastante mais baixos até agora.
Estão também muito aquém das necessidades de cerca de 18.500 pessoas que a Organização Mundial de Saúde (OMS) estimou que precisem de tratamento médico no exterior.
Os esforços de evacuação esta manhã concentraram-se junto de um hospital do Crescente Vermelho em Khan Yunis, onde chegaram uma equipa da OMS e um veículo que transportava doentes e os familiares, provenientes de outra unidade clínica
De seguida, as viaturas da OMS e as ambulâncias palestinianas seguiram em direção a Rafah para aguardar a travessia, relatou a AP.
Na Cidade de Gaza, o diretor do Hospital Al-Shifa, Mohamed Abu Selmiya, classificou o ritmo em curso como "gestão de crise, não uma solução para a crise", insistindo no apelo a Israel para que permita a entrada de material e equipamento médico no enclave devastado pela guerra.
"Negar a retirada de doentes e impedir a entrada de medicamentos é uma sentença de morte", alertou na rede social Facebook.
O porta-voz do Crescente Vermelho Palestiniano, Raed al-Nims, disse à AP que apenas 16 pacientes com doenças crónicas ou ferimentos de guerra, acompanhados por 40 familiares, foram levados durante o dia para a passagem de Rafah, muito abaixo dos 46 que disse ter sido informado que estavam autorizados a passar.
No sentido contrário, Umm Abdullah, uma das 12 pessoas que regressaram à Faixa de Gaza segunda-feira, relatou, a partir do interior do território palestiniano, um interrogatório durante três horas, de olhos vendados, pela milícia palestiniana Abu Shabab, apoiada por Israel.
A habitante prestou declarações aos jornalistas depois de ter chegado ao território de autocarro com oito mulheres e três crianças.
O Hamas, que controla as autoridades da Faixa de Gaza, condenou já "maus-tratos, abusos e extorsões" sofridos pelos palestinianos que entraram no território na segunda-feira.
"Isto confirma que o que está a acontecer não são 'procedimentos de travessia', mas violações sistemáticas destinadas a incitar o medo e a impedir que as pessoas regressem às suas casas", acusou o Hamas em comunicado.
A passagem estava fechada desde que as tropas israelitas assumiram o seu controlo em maio de 2024 e foi agora reaberta à circulação de pessoas, no âmbito do cessar-fogo entre Israel e o Hamas, em vigor desde 10 de outubro, apesar de sucessivas acusações mútuas de violação do acordo.
No entanto, as autoridades israelitas condicionaram qualquer travessia à obtenção de uma "autorização de segurança prévia", em coordenação com o Egito e sob a supervisão da missão da UE em Rafah.
A primeira fase do cessar-fogo incluiu a troca de reféns (20 vivos e 28 mortos e todos já repatriados) por prisioneiros palestinianos, a retirada parcial das forças israelitas da Faixa de Gaza e a entrada de ajuda humanitária no território.
As próximas etapas preveem um governo de transição tecnocrático, já constituído, o desarmamento do Hamas, a criação de uma força militar internacional e a reconstrução do enclave.
A guerra na Faixa de Gaza foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.
Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave palestiniano, que provocou mais de 71 mil mortos, segundo as autoridades locais, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.
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