Países do mar do Norte querem garantir energia e segurança
- 26/01/2026
O compromisso assumido quer também garantir a segurança de uma região que os nove Estados pretendem transformar no "maior centro de energia limpa do mundo".
A cimeira do Mar do Norte, uma iniciativa do chanceler alemão, Friedrich Merz, realizada em Hamburgo, no norte da Alemanha, ocorreu poucos dias depois de, em Davos, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter renunciado às pretensões de assumir o controlo do território autónomo dinamarquês da Gronelândia, após alcançar um pré-acordo com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte.
Na denominada "Declaração de Hamburgo", assinada pelos países presentes na cidade alemã - Bélgica, Dinamarca, França, Reino Unido, Irlanda, Noruega, Países Baixos e Luxemburgo, além da Alemanha -, os signatários manifestaram apoio ao "reforço do nível de cooperação multilateral nos mares do Norte, bem como no mar Báltico, incluindo no âmbito da NATO".
Relativamente a este aumento da cooperação militar, os líderes indicaram que o trabalho conjunto constitui uma iniciativa "adequada para melhorar a defesa, a segurança global e a resiliência" da região, implicando também que estes países incentivem a "indústria a desenvolver tecnologia que permita detetar, vigiar e responder a ameaças à segurança".
Cerca de um terço da "Declaração de Hamburgo" é dedicado a quatro pontos centrados no relançamento da energia eólica 'offshore' e no reforço da cooperação energética, com o objetivo de fazer face "às realidades geopolíticas e económicas".
Noutro ponto que reflete a crescente relevância da segurança numa cimeira que, inicialmente, tinha um foco sobretudo económico, o documento alertou que a infraestrutura de produção energética 'offshore' "pode tornar-se uma parte importante e integrada da vigilância" do mar e do espaço aéreo dos nove países.
Os signatários da "Declaração de Hamburgo" subscreveram o objetivo de atingir 100 gigawatts em projetos conjuntos, aos quais se associou também o Reino Unido.
Até 2050, de acordo com o compromisso assumido na segunda Cimeira do Mar do Norte, realizada em 2023, na Bélgica, os países da região pretendem alcançar uma capacidade de produção de energia eólica de 300 gigawatts.
O alcance destas metas passa pela simplificação e aceleração dos processos no setor da energia eólica, bem como pela definição de um "quadro" para os investimentos nesta área, de acordo com o documento.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, sublinhou a importância de aprender com o erro de ter sido criada uma dependência energética da Rússia e defendeu que se deve agora evitar tal cenário, o que confere valor acrescido ao projeto.
"Creio que todos os europeus compreenderam que foi um erro permitir a criação de uma dependência energética da Rússia. Isso deve ensinar-nos que não podemos ser energeticamente dependentes de nenhum ator fora da Europa. Se a Europa é dependente, a Europa é frágil", afirmou.
Merz, por seu lado, destacou a importância de aumentar a produção de energia para fazer face aos custos, embora tenha referido que considera a energia eólica uma tecnologia de transição, reiterando o desejo de que a Alemanha consiga construir o primeiro reator de fusão nuclear do mundo.
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