Países Baixos propõem modificar 'software' dos F-35 para integrar armas europeias
- 16/02/2026
Gijs Tuinman apontou que, assim como um 'smartphone', um F-35 poderia ser objeto de um 'jailbreak' para eliminar as limitações impostas pelo 'software' norte-americano, o que permitiria equipá-lo mais rapidamente com mísseis europeus, segundo afirmou em entrevista à rádio neerlandesa BNR.
"Vou dizer algo que nunca deveria dizer, mas vou dizer na mesma: tal como com um iPhone, é possível fazer um 'jailbreak' a um F-35", afirmou.
O termo inglês 'jailbreak' refere-se à modificação de sistemas informáticos para eliminar restrições do fabricante e ampliar funcionalidades.
O secretário de Estado, que deixará o cargo quando o novo Governo tomar posse na próxima semana, disse que a integração de armamento europeu no F-35 --- aeronaves que também fazem parte da Força Aérea neerlandesa --- é muito lenta devido ao controlo dos Estados Unidos sobre o 'software' do aparelho.
Os Países Baixos participaram no desenvolvimento do F-35 e investiram no programa.
As declarações de Tuinman foram divulgadas por meios de comunicação social especializados em defesa nos Estados Unidos e difundidas nas redes sociais, gerando críticas pelo tom e pelo conteúdo da afirmação.
O especialista em defesa do Centro de Estudos Estratégicos de Haia e tenente-coronel reformado da Força Aérea, Patrick Bolder, qualificou as declarações de Tuinman como imprudentes e explicou à BNR que o F-35 depende de vários sistemas sob controlo dos Estados Unidos, incluindo os logísticos, pelo que esta questão não se limita a um único 'software'.
Além disso, alertou que é arriscado criar tensões na relação com um fornecedor do qual os Países Baixos dependem em matéria de equipamento militar e lembrou que o país participou no desenvolvimento do F-35 e foi um dos primeiros aliados a adquiri-lo a Washington.
No entanto, Bolder salientou que o pano de fundo do debate é real: a dependência europeia dos Estados Unidos em matéria de defesa é elevada e, na sua opinião, os parceiros europeus devem procurar uma maior margem de autonomia e pressionar para poder integrar os seus próprios sistemas de armas em aparelhos como o F-35.
O caça de quinta geração norte-americano produzido pela Lockheed Martin tinha em 2023 um valor estimado de 77 milhões de dólares (66,5 milhões de euros, ao câmbio atual), segundo o Congresso dos Estados Unidos, tratando-se do mais caro programa de sempre do Pentágono (Departamento de Defesa norte-americano).
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