PAIGC exige restituição da sede nacional após "ocupação forçada"
- 29/11/2025
Num comunicado divulgado nas páginas oficiais do partido, o PAIGC torna público que a sede foi hoje "invadida por milicianos fortemente armados" que "procederam à expulsão" de quem ali se encontrava e ao "arrombamento de portas de diversos gabinetes".
O histórico partido da libertação da Guiné-Bissau considera que está em causa "um atentado à liberdade política e uma ofensa às instituições democráticas que regem a vida nacional".
"A destruição, a ocupação forçada e a usurpação das instalações de um partido político legalmente constituído e reconhecido geram responsabilidade civil, criminal e política para todos os seus autores, materiais ou morais", refere o comunicado.
O PAIGC "questiona a verdadeira motivação", tendo em conta que o partido foi afastado pelo tribunal da corrida eleitoral às eleições gerais, presidenciais e legislativas de 23 de novembro.
O processo eleitoral foi interrompido na véspera da divulgação dos resultados eleitorais, quando os militares ocuparam o poder na Guiné-Bissau, na quarta-feira.
O partido questiona "que interesse tinham os invasores ao proceder ao esbulho" da sede partidária, acrescentando que "poderá tratar-se, mais uma vez" de "uma encenação" para acusar o PAIGC de ter "materiais bélicos e outros".
O PAIGC responsabiliza "os executores e instigadores" pelos danos que venham a ocorrer.
Exige ainda "a restituição imediata da sede nacional, a reposição das condições de segurança e a instauração de uma investigação urgente".
O partido apela à comunidade nacional e internacional para que "exijam o pleno respeito pela ordem constitucional".
O presidente do PAIGC, Domingos Simões Pereira, está detido desde o dia do golpe militar e a família fez um apelo público à intervenção da comunidade internacional.
Depois de excluídos das eleições gerais, Simões Pereira e o PAIGC decidiram apoiar o candidato independente Fernando Dias, líder de uma das alas do PRS, o Partido de Renovação Social, que se tinha dividido em dois blocos, um que continua fiel a Dias e outro que apoia o Presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló.
Fernando Dias reclamou vitória na primeira volta sobre Embaló, um dia depois das eleições.
A divulgação oficial dos resultados estava marcada para quinta-feira, 27 de novembro, e um dia antes os militares tomaram o poder e anunciaram que o Presidente tinha sido deposto e detido.
Sissoco Embaló refugiou-se no Senegal e a imprensa internacional noticia hoje que viajou para o Congo, na noite de sexta-feira.
Na Guiné-Bissau, há relatos de alegados incidentes hoje, junto à sede do PRS, resultantes do lançamento de gás lacrimogéneo por parte da Polícia de Intervenção Rápida (PIR) para dispersar jovens que protestavam incendiando pneus.
Depois de os militares tomarem o poder, o general Horta Inta-A foi empossado Presidente de transição pelo período de um ano e nomeou como primeiro-ministro e ministro das Finanças Ilídio Vieira Té, antigo ministro de Embaló.
As eleições decorreram sem registo de incidentes e a tomada de poder pelos militares está a ser denunciada pela oposição como uma manobra para impedir a divulgação dos resultados eleitorais.
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