ONU regressa a campo com familiares de membros do Daesh
- 23/01/2026
Depois de inicialmente ter afirmado que a situação de segurança tinha impedido a entrada no campo de Al-Hol, o alto-comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) disse na rede social X que os seus elementos estavam de regresso, acompanhados por funcionários do Governo sírio.
Barham Salih, de origem curda-iraquiana, acrescentou que "foi retomada a entrega de mantimentos essenciais, incluindo camiões carregados com pão".
Muitos dos residentes de Al-Hol fugiram esta semana durante o caos instalado na região, e os restantes dispersaram-se pelas vastas instalações, disse a diretora do campo, Jihan Hanna.
O campo albergava 23 mil pessoas, sobretudo mulheres e crianças, tanto sírias como cerca de 8.500 estrangeiras, com exceção das iraquianas, uma vez que a maioria já foi repatriada, de acordo com a diretora em declarações ao Centro de Informação de Rojava, sediada no nordeste da Síria.
Jihan Hanna relatou que o caos começou depois de tribos da cidade de Al-Hol se terem revoltado contra a polícia curda e algumas das forças destacadas para o campo partiram em seu auxílio, o que levou por sua vez os habitantes do campo a rebelarem-se.
Os seus escritórios e os de pelo menos duas organizações não-governamentais foram saqueados e incendiados, numa fase em que decorre a transferência de áreas controladas pelos curdos sírios para as tropas do Governo de Damasco, no âmbito de um acordo frágil destinado a travar os confrontos nas últimas semanas entre as partes.
A situação de descontrolo em Al-Hol levou à retirada das Forças Democráticas da Síria (FDS), lideradas pelos curdos, deixando o campo desprotegido até à chegada das forças de Damasco e alguns residentes aproveitaram este período para fugir.
Ao abrigo do cessar-fogo com as FDS, anunciado no domingo, o exército da Síria anunciou ter assumido também o controlo da prisão de Al-Aqtan, que alberga membros do EI em Raqqa, no norte do país.
Segundo as forças do Governo de Damasco, este é um "primeiro passo" na implementação do acordo com as FDS, após várias semanas de confrontos no norte e nordeste da Síria.
No entanto, desde segunda-feira que os curdos sírios relataram ataques diários à prisão por parte de fações ligadas ao Governo central.
O entendimento estipula a suspensão imediata da ofensiva do exército, a transferência das áreas sob controlo das FDS para a administração central e a integração das instituições e combatentes curdo-árabes no Estado sírio.
A prisão de Al-Aqtan alberga cerca de 2.000 combatentes do EI, muitos dos quais considerados os membros mais perigosos do grupo terrorista, segundo o canal de notícias curdo Rudaw.
Os Estados Unidos, que terminaram o apoio militar às FDS na luta contra a organização terrorista, transferiram 150 prisioneiros do EI para o Iraque na quarta-feira.
Estes prisioneiros estavam detidos numa prisão na província de Al-Hasakah, que se encontrava sob controlo das FDS e que também já passou para as forças governamentais.
No entanto, outros 7.000 podem ser transferidos para instalações iraquianas, de acordo com o Comando Central dos EUA.
Damasco e os curdos sírios tinham assinado um entendimento em 10 de março de 2025 para abrir uma solução para as autoproclamadas zonas autónomas no nordeste da Síria.
Mas este processo, iniciado após a queda do regime de Bashar al-Assad há mais de um ano, no seguimento de uma operação militar de uma coligação rebelde liderada pelo atual Presidente de transição, Ahmad al-Sharaa, não se concretizou.
Numa visita sem precedentes de um líder sírio à Casa Branca, em Washington, Al-Sharaa assinou em novembro a adesão de Damasco à Coligação Global para a Derrota do EI, liderada pelos EUA.
A minoria curda assumiu o controlo de vastas áreas do norte e nordeste da Síria durante a guerra civil no país entre 2011 e 2024, incluindo campos de petróleo e gás.
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