ONU pede a Teerão que pare "brutal repressão" contra manifestantes
- 23/01/2026
"Apelo às autoridades iranianas para que reconsiderem a sua posição, recuem de rumo e ponham fim à sua repressão brutal, incluindo julgamentos sumários e sentenças desproporcionais", afirmou Turk, na abertura de uma sessão especial do Conselho de Direitos Humanos dedicada à situação na República Islâmica.
"Exijo a libertação imediata de todos os detidos arbitrariamente pelas autoridades iranianas. E peço uma moratória completa à pena de morte", acrescentou o responsável das Nações Unidas.
A sessão extraordinária do Conselho foi solicitada na segunda-feira pela Islândia, Alemanha, Macedónia do Norte, Moldova e Reino Unido, e contou com o apoio de mais de 20 outros Estados-membros.
O projeto de resolução discutido hoje pede a extensão de dois anos da "Missão de Averiguação de Factos" sobre o Irão, estabelecida em novembro de 2022, na sequência da repressão aos manifestantes no país após a morte sob custódia policial da jovem iraniana Mahsa Amini.
O texto expressa "profunda preocupação com a repressão violenta e sem precedentes dos protestos pacíficos pelas forças de segurança" no Irão, "incluindo relatos de execuções extrajudiciais de manifestantes, incluindo mulheres e crianças, e o uso de força excessiva e letal".
Na quarta-feira, as autoridades iranianas deram um número oficial de mortos de 3.117.
Mas, segundo Teerão, a grande maioria (2.427) são "mártires", sejam forças de segurança ou transeuntes, e não "agitadores", como são chamados os manifestantes.
A Agência de Notícias dos Ativistas dos Direitos Humanos (HRANA), uma organização sediada nos Estados Unidos, disse entretanto que 5.002 pessoas foram mortas, principalmente manifestantes, e pelo menos 26.852 detidas.
Por sua vez, a organização opositora Direitos Humanos do Irão (IHR), sediada na Noruega, confirmou a morte de 3.428 manifestantes, mas afirmou recear que o número real pudesse atingir os 25.000.
Segundo Turk, "as autoridades iranianas procuraram deslegitimar os manifestantes, chamando-os 'terroristas', 'inimigos do Estado' e 'agentes estrangeiros'".
"Nada disto pode justificar o uso excessivo, desnecessário e desproporcionado da força, nem reduzir a obrigação do governo de garantir o respeito pelo devido processo e transparência nas investigações", acrescentou o alto comissário.
A "impunidade" por violações "alimenta ressentimento e tensões no Irão", avisou.
E reforçou: "Por isso, insisto que sejam realizadas investigações independentes sobre todas as violações dos direitos humanos".
Se renovada, a "Missão de Averiguação" sobre o Irão terá de apresentar as suas conclusões na 63.ª sessão do Conselho em setembro.
Os protestos no Irão intensificaram-se a partir do final de dezembro, impulsionados pelo agravamento da crise económica, pela elevada inflação e pelo descontentamento generalizado com o regime iraniano e a falta de liberdades civis.
As manifestações espalharam-se por várias cidades e têm sido duramente reprimidas pelas forças de segurança, com recurso a força letal.
Organizações não-governamentais de direitos humanos denunciaram milhares de mortos, milhares de feridos e detenções em massa, embora os números exatos sejam difíceis de confirmar devido a cortes no acesso à Internet e à censura estatal, o que tem gerado ampla condenação internacional.
Os números dos grupos de direitos humanos têm sido precisos em distúrbios anteriores no Irão e dependem de uma rede de ativistas no país para verificar as mortes.
Este número de mortos supera o de qualquer outra onda de protestos ou distúrbios no Irão em décadas e faz lembrar o caos que envolveu a Revolução Islâmica de 1979.
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