ONG portuguesa condena “avanços da anexação” na Cisjordânia
- 18/02/2026
Num comunicado enviado à agência Lusa, o Movimento pelos Direitos do Povo Palestiniano e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) salienta que, com as atenções viradas para a Faixa de Gaza, liderada pelo movimento de resistência islâmica Hamas, "Israel prepara legislação que lhe permite acelerar o seu programa de anexação da Cisjordânia, ao mesmo tempo que prossegue a sua política de limpeza étnica".
"Com estas medidas, Israel enterra definitivamente os Acordos de Oslo e inviabiliza a criação de um Estado Palestiniano nos territórios ocupados em 1967. A comunidade internacional, que tem assistido impassível à progressiva apropriação da Cisjordânia por Israel, finge-se surpreendida e esboça protestos, mas abstém-se de tomar medidas que detenham o expansionismo do Estado judaico", argumenta o MPPM.
A organização não-governamental lembra, a propósito, que Israel "não faz segredo das suas intenções", recordando as palavras do atual ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, proferidas a 08 deste mês após a reunião do Gabinete de Segurança: "continuaremos a matar a ideia de um Estado palestiniano".
"A ONU informou que mais de 900 palestinianos foram deslocados pela violência dos colonos israelitas e pela atividade militar na Cisjordânia desde o início de 2026. Só no mês de janeiro, foram registados quase 1.900 ataques por parte dos colonos e das forças israelitas em toda a Cisjordânia ocupada, deslocando 125 famílias palestinianas", escreve o MPPM no comunicado.
Desde outubro de 2023, denuncia o MPPM, Israel deslocou à força 45 comunidades palestinianas na Cisjordânia, compreendendo pelo menos 3.500 pessoas. Outras 12 comunidades foram parcialmente deslocadas, com pelo menos 455 pessoas expulsas das suas casas.
"Os ataques de colonos israelitas e as incursões militares aumentaram na Cisjordânia desde o início da guerra de Gaza, em outubro de 2023. Os ataques causaram a morte de mais de mil palestinianos e deixaram mais de 11.000 feridos.
Expulsões dos campos de refugiados", sublinhou o MPPM, que lembra que 33.000 pessoas continuam deslocadas à força dos campos de refugiados palestinianos no Norte.
Ao frisar que a Cisjordânia vive atualmente a "mais grave crise humanitária desde o início da ocupação israelita", em 1967, o MPPM apela a todas as pessoas, individuais e coletivas, que reconheçam os direitos nacionais do povo palestiniano, através de um Estado "soberano e viável" com a capital em Jerusalém Oriental.
"Israel está a intensificar a expansão de colonatos. No final de 2025, aprovou a construção de 19 novos colonatos e legalizou retroativamente postos avançados que, mesmo pela lei israelita, são ilegais. Segundo a organização israelita Peace Now, nos últimos três anos foram aprovados 68 novos colonatos, dos quais 41 em 2025. O número total de colonos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental excederá os 750.000", afirma o MPPM.
Nesse sentido, no comunicado, o MPPM "denuncia a hipocrisia" dos Estados que "se abstêm de qualquer iniciativa que ponha em causa o estatuto privilegiado" que imputam a Israel.
Nesse sentido, reclama da União Europeia (UE) que, dando sequência às petições de inúmeras pessoas e organizações, "suspenda o Acordo de Associação com Israel" e "legisle" no sentido de "proibir todas as relações económicas e comerciais com os colonatos israelitas ilegais".
Ao Governo português exige que, "em coerência com a Constituição da República, promova o direito do povo palestiniano à autodeterminação e independência e que, nas relações diplomáticas, políticas, jurídicas, militares, económicas, comerciais e financeiras com Israel, "se abstenha de qualquer iniciativa que contribua para a manutenção ou desenvolvimento dos colonatos".
O MPPM exige ainda a Lisboa que tome medidas, incluindo a proibição de viajar e o congelamento de bens, contra pessoas singulares e coletivas envolvidas na manutenção da presença ilegal de Israel nos Territórios Palestinianos Ocupados (TPO), "nomeadamente no que se refere à violência exercida pelos colonos".
Na terça-feira, na sede da ONU, em Nova Iorque, o representante palestiniano junto da organização multilateral, Riyad Mansour, leu uma declaração conjunta, assinada por 85 países, entre eles Portugal, em que "condenam veementemente as decisões e medidas unilaterais de Israel que visam expandir a presença ilegal do país na Cisjordânia".
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